Desde o início da guerra civil na Síria, a posição da #Turquia em relação ao conflito sempre foi extremamente clara e firme. As declarações do presidente turco Recep Tayyip Erdogan se somavam as dos líderes ocidentais ao afirmar que o governo do presidente sírio Bashar Al-Assad perdera sua legitimidade e que o mesmo deveria deixar o poder, se não por pressão internacional, pela força. Esta posição de confrontação com o governo sírio também esteve acompanhada de ajuda militar turca aos rebeldes sírios.

Entretanto, ao contrário de outros eventos da chamada "Primavera Árabe", o governo sírio não sucumbiu à guerra civil que já assola o país há quase seis anos.

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Durante o decorrer deste conflito, dois acontecimentos afetaram de forma extremamente dura os planos da atual administração turca para a #síria. Primeiramente, a Rússia passou a atuar militarmente no país árabe a pedido do presidente Bashar al-Assad, fortalecendo o governo sírio em sua luta contra os rebeldes.

Outro fator foi o fortalecimento de grupos armados curdos que lutam contra o Estado Islâmico no norte da Síria. Este fato representa um grande problema para Ancara que teme o surgimento de um Estado curdo próximo à fronteira, podendo gerar movimentos separatistas de populações curdas que habitam no sul da Turquia.

A operação "Escudo do Eufrates"

No dia 24 de agosto de 2016 o exército turco entrou em território sírio sem a autorização do governo de Damasco ou qualquer outra entidade internacional.

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A justificativa dada pelo governo turco para tal ação militar foi a luta contra o Estado Islâmico que operava no norte da Síria. Tal operação foi denominada "Escudo do Eufrates".

Nesta operação, o exército turco atua em conjunto com os rebeldes sírios nas operações militares contra o Estado Islâmico. Contudo, desde o início da operação "Escudo do Eufrates, viu-se que a luta contra o EI não é o único objetivo do governo turco.

Esta ação militar por parte da Turquia se deu em momento que as forças do governo sírio, apoiadas pela Rússia, conquistaram a cidade de Aleppo no norte, sendo esta uma das mais importantes em termos econômicos. A incursão militar também ocorreu um pouco antes das forças curdas conseguirem romper o cerco imposto pelo Estado Islâmico aos territórios sob domínio curdo.

Isso significa que, ao romper este cerco, os curdos estariam sob controle de uma enorme faixa de território no norte da Síria e isso poderia favorecer algum tipo de demanda por independência por parte dos curdos.

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O expansionismo turco na Síria

Atualmente, o exército turco e seus aliados controlam uma faixa de território sírio que se estende da fronteira com a Turquia até a cidade de al-Bab. Durante o período em que os turcos deram início a esta incursão, ocorreram enfrentamentos tanto contra o exército sírio como contra as forças curdas. O fato é que a Turquia entrou na Síria para fazer parte das negociações de paz que estão ocorrendo entre o governo sírio e os rebeldes com o apoio da Rússia e do Irã.

Mas mais do que isso, a Turquia quer manter sua influência na Síria através dos rebeldes e evitar a consolidação de um Estado curdo em suas fronteiras. Desde o início da guerra civil, a Turquia não abre mão de expandir sua zona de influência sobre o país árabe, utilizando de métodos tanto políticos como militares. É fato que o governo de Ergogan não abandonará este plano, mas resta saber agora se os turcos estarão dispostos a prolongar sua aventura militar na Síria em nome da política expansionista de seu mandatário. #2017