Kristine McDivitt, viúva do magnata norte-americano Douglas Tompkins, criador da marca The North Face, doou 407.625 hectares de terra ao governo chileno. Essas terras são destinadas ao governo do #Chile para a construção da futura Rede de Parques Nacionais da Patagônia, que será uma área de conservação.

A presidente do país, Michelle Bachellet, e McDivitt já assinaram o acordo para a transferência de terras, e o governo chileno ainda se comprometeu à adicionar mais 949.000 hectares para a construção da rede de parques.

De acordo com o Ministério de Bens Nacionais do Chile, esses terrenos comprados pela família de Douglas Tompkins formam a maior área de conservação do país desde 1960. Essas terras se estendem desde Puerto Montt até Cabo de Hornos, uma área que chega a ser de cerca de 2 mil quilômetros, no extremo sul do Chile.

Segundo Bachellet, “a rede protegerá 4,5 milhões de hectares de biodiversidade”, área equivalente ao tamanho da Suíça.

Doação de terras

Douglas Tompkins, além de ser um dos fundadores da marca The North Face, uma empresa mundial de equipamentos e esportes de aventura, também era ambientalista. Falecido em dezembro de 2015 em um trágico acidente de caiaque enquanto navegava pelo lago General Carrera, na Patagônia. Ao longo de sua vida, o empresário comprou grandes extensões de terras no Chile e na Argentina com a intenção de preservá-las. De acordo com o empresário, a conservação para ser eficaz, precisava ser “grande, selvagem e conectada”. De acordo com os projetos, a rede de parques atende aos três requisitos.

Filantropia ou intromissão?

No entanto, o que para o magnata era considerado #Filantropia, para os chilenos era considerado intromissão. Sua atitude já foi muito questionada pela população chilena que o enxergavam como um “gringo” que tinha chegado à América do Sul para comprar áreas de recursos naturais da Patagônia chilena e Argentina. Também temiam que os Tompkins acabassem sendo os donos das terras da costa até a fronteira da Argentina e dividissem o país em dois.

Em parceria com sua mulher, Douglas Tompkins fundou a organização Tompkins Conservation. Na Patagônia, lugar em que passou as duas últimas décadas de sua vida, o ambientalista disse que estava “salvando o paraíso” e não explorando, como haviam feito muitos milionários antes dele.

De acordo com Gideon Long, jornalista da BBC em Santiago, o acordo feito entre o governo chileno e a família Tompkins só mostra o quanto a relação entre ambos tem melhorado desde que o ambientalista desembarcou pela primeira vez no país, no início da década de 1990, além de ser uma marco importante para a conservação da Patagônia.

Kristine McDivitte ofereceu as terras ao governo do Chile um mês após a morte de Douglas Tompkins, em janeiro de 2016. Desde então, o governo chileno e a família do empresário estavam em processo de negociação para chegar a um acordo sobre as condições da doação.

McDivitte afirma que “se Doug estivesse aqui hoje, ele diria que os parques nacionais são uma grande expressão da democracia” e que “hoje é um dia histórico para nós. Tenho certeza que Doug está lá com um sorriso”, afirmou a viúva apontando para cima.

Sendo assim, os Tompkins cumpriram a promessa feita desde sua chegada: comprar as terras com o intuito de preservá-las para que fossem devolvidas, um dia, para uso público. #Preservação