Comemorado do dia 8 de março, o #Dia Internacional das Mulheres de 2017 será marcado por protestos contra a onda de conservadorismo que parece estar ganhando corpo em todo o mundo.

"Um dia sem mulher" é o slogan do movimento, que já conta com a adesão de mais de 30 países. O argumento é lógico: se tanto o trabalho quanto a vida das mulheres valem menos, elas mostrarão em apenas um dia a falta que fazem. A ideia é ocupar as ruas em protesto e a inspiração vem da Islândia, que tem o status de país mais feminista do mundo. Um protesto realizado em 1975, quando quase todas as islandesas deixaram seus postos de trabalho e ocuparam as ruas, deu início às transformações naquele país e, a partir daí, leis garantiram a igualdade de salários e de gênero.

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No Brasil, o movimento segue a vizinha Argentina, sob a bandeira "Ni Una a Menos" (Nenhuma a Menos) e inclui a crítica à reforma da Previdência proposta pelo presidente Michel Temer.

Mariana Bastos, que articula o movimento no país, declarou que aqui os #Protestos miram dois eixos: a violência contra a mulher e a reforma da Previdência. Segundo ela, as estatísticas de violência não tendem a cair, "pela forma como o Estado não assume sua responsabilidade quanto a isto" e o combate à reforma é necessário, pois vai ser especificamente prejudicial às mulheres que, historicamente, trabalham em média 3 horas a mais do que os homens, devido à dupla jornada, trabalho e casa, sendo que a jornada doméstica não é valorizada, nem remunerada.

Os números da violência são alarmantes.

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Uma mulher é morta a cada duas horas. No carnaval deste ano, por exemplo, os casos de violência contra mulheres representou 14% dos atendimentos policiais. O Brasil está no vergonhoso quinto lugar no ranking mundial de feminicício, que é o crime praticado por questões de gênero.

Uma das militantes da #Greve geral na Argentina, Cecilia Palmeiro, critica o presidente Maurício Macri, dizendo que cada vez há menos atendimento às demandas das minorias. Incluída no protesto argentino, está a revogação da aposentadoria pelo trabalho doméstico, instituída no governo de Cristina Kirshner. Para Cecilia, o Brasil e a Argentina sofrem as mesmas ameaças aos direitos das mulheres, devido à "restauração de uma onda conservadora na economia", que teria como propósito "justamente a acumulação de capital".

A greve geral das mulheres já conta com a participação de movimentos feministas da Austrália, Bolívia, Chile, Irlanda, Israel, México, EUA, Suécia, Itália, Alemanha, França, Inglaterra, Polônia, Escócia e Turquia, entre outros.

O movimento pretende que todos os tipos de ambiente de trabalho fiquem sem a presença de mulheres neste dia 8 de março e em todos os países os protestos abordarão a violência, o feminicídio, a desigualdade, o machismo, a exploração no trabalho e na economia, além da desumanização feminina.