O nome Eleftherios Venizelos é muito significativo para os conhecedores da história política moderna da Grécia, devido às façanhas realizadas por este homem, que foi o maior estadista grego do século XX. Venizelos residia na França, quando foi acometido por uma forte gripe, que logo se transformou em pneumonia, provocando a sua #Morte. A triste notícia rapidamente se espalhou por toda a #Grécia, pois durante quase 50 anos, ele atuou na vida política e revolucionária de Creta e, em seguida, em toda a Grécia.

Na mesinha ao lado do corpo de Venizelos, estavam alguns livros com as suas últimas leituras, tais como Ésquilo, #História da Europa e jornais gregos.

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No leito de morte do homem, encontravam-se sua esposa, Elena Venizelos, seus dois filhos e seu médico pessoal, Skoulas. A Grécia, assim que soube de sua morte, vivenciou sentimentos de profunda dor e ansiedade, principalmente em Creta, terra natal de Eleftherios.

Era um ano difícil para os gregos, pois quando Venizelos morreu, o país se encontrava politicamente dividido e com a ditadura de Ioannis Metaxas sendo iminente. O objetivo inicial da família de Venizelos era que ele fosse enterrado em Creta, sendo que, a esposa e os filhos, já tinham tomado a decisão de que o translado do corpo se daria de trem até o porto italiano de Brindisi e de lá partisse de navio até a cidade cretense de Chania, mas Metaxas, que na época era vice-presidente e ministro da guerra, decidiu enviar 2 destroieres para Brindisi, a fim de acompanhar os restos mortais, pois ele queria que o caixão ficasse exposto para a população em Atenas, capital da Grécia.

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A família acabou concordando que o morto permanecesse por dois dias em Atenas e depois iria para Creta. Os inimigos políticos de Venizelos discordaram que o corpo ficasse em Atenas e, simultaneamente, homens cretenses armados foram até lá, para formar uma espécie de guarda de honra para o morto. Por conta disso, o governo resolveu pedir à família que levasse o corpo diretamente para Creta, evitando um conflito civil.

O corpo de Venizelos chegou a Brindisi em 24 de março, onde estavam ancorados os navios de guerra gregos “Kountouriotis" e "Pescador”. O caixão e os parentes foram no "Kountouriotis" e, em seguida, os dois barcos, com bandeiras a meio-mastro, começaram a viagem de retorno.

Em Atenas, cretenses e gregos de outras regiões do país esperavam pacientemente no porto de Pireus, todos com muitas flores, coroas e velas. Finalmente, às 10h da manhã, chegaram os navios no canal principal de navegação, sendo rebocados por uma embarcação especial. Imediatamente todos os que ali estavam presentes começaram uma grande comoção, lançando ao mar grinaldas, acendendo velas e soluçando de tanto chorar.

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Na manhã seguinte, os dois contratorpedeiros aportaram em Creta, onde Chania estava envolta na cor preta de luto e tristeza, os canhões da fortaleza da cidade pareciam tristes e todos se ajoelharam quando o navio chegou ao litoral. A partir de então, o cortejo se dirigiu com o corpo para a catedral da cidade e, pouco tempo depois, a procissão foi reiniciada em direção a Halepa, sendo o corpo depositado na capela de Santa Maria Madalena, perto da casa de Venizelos.

Em 11 de março, Venizelos foi levado para ser enterrado em Akrotir, de acordo com seu desejo em vida, pois foi neste local em 1898 que, como um senhor da guerra de Creta, ele enfrentou os canhões da frota estrangeira, escrevendo o protesto histórico do bombardeio de Creta e levantando, logo depois, juntamente com outros líderes, a bandeira grega. Dos companheiros da ocasião de 1898, que ainda estavam vivos, compareceram todos, como escolta do velho Venizelos até aquela que seria sua última morada. A multidão incalculável acompanhava o caixão que seria depositado na terra, no entardecer triste da ilha, levando consigo as suas tradições milenares e nas mãos mirra, louro e flores.

Na placa colocada sobre o túmulo do grego foi escrito: “Eleftherios Venizelos 1864-1936”.

Documentário histórico de Venizelos