Quando os quatro principais candidatos à presidência francesa entrarem no estúdio da TF1, na noite da próxima segunda (20), para o único #Debate entre eles na TV antes da votação em abril, o público pode esperar embates acalorados.

A última pesquisa para o pleito, realizada pelo instituto Odoxa, mostra uma disputa muito apertada. O candidato independente de centro-direita, Emmanuel Macron, apareceu pela primeira vez na frente, com 27% das intenções de voto. Marine Le Pen, da Frente Nacional, partido ultraconservador, vem logo atrás, com 25,5%.

Azarão

O candidato independente foi beneficiado, primeiro, pela queda do conservador #François Fillon.

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Antes líder nas pesquisas e agora com 19%, ele teve a candidatura enfraquecida após denúncias de que contratou a mulher e os filhos para trabalhar como assessores parlamentares em seu gabinete de deputado da Assembleia Nacional Francesa, entre 1998 e 2007. Segundo a investigação, só a esposa dele, Penelope Fillon, recebeu 900 mil euros (R$ 2,97 milhões) em nove anos, sem exercer qualquer função efetiva.

Depois foi a vez de Marine Le Pen ajudar Macron. Ela chegou a liderar as pesquisas, no entanto, sofreu bombardeio após investigação revelar que a candidata publicou no Twitter, em 2015, imagens chocantes de execuções levadas a cabo pelo Estado Islâmico naquele ano. O crime de publicação de imagens violentas pode levar a três anos de prisão na #França. Le Pen, que é deputada no parlamento europeu, teve a imunidade suspensa pelos colegas e está sendo processada em seu país.

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No campo socialista, Benoît Hamon, está em quarto sem muitas chances, com 8% das intenções. Ele é do mesmo partido do atual presidente, François Hollande, que desistiu da reeleição por causa do alto nível de rejeição dos franceses. A previsão é que ele deixe a presidência com a pior taxa de aprovação da história da França, de apenas 10%.

Líderes têm perfil antipolítico

Marine Le Pen e Emmanuel Macron estão em campos ideológicos completamente opostos. Enquanto ela defende a saída da França da União Europeia, restrição à imigração e combate mais duro ao terrorismo, após seguidos ataques na França; ele acredita na manutenção da UE, na abertura econômica da França e na mudança das leis trabalhistas.

No entanto, os dois têm uma característica que agrada o eleitorado francês e que fez o presidente Donald Trump se eleger nos Estados Unidos: não são considerados políticos tradicionais.

Marine Le Pen é filha de Jean-Marie Le Pen, político ultraconservador que fundou a Frente Nacional. Com posições radicais demais para atrair a maioria do eleitorado, ele foi substituído por Marine no comando do partido.

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Desde então, ela defende teses menos extremas - apesar de críticas sobre sua posição anti-islã - e conseguiu um lugar de destaque no cenário político francês. Até hoje, no entanto, só ocupou o cargo de deputada europeia.

Já Emmanuel Macron foi ministro no governo François Hollande, mas nunca ocupou cargos eletivos. Ele se mostra uma opção mais equilibrada aos mais jovens, com políticas para promover a modernização do país e combater a estagnação econômica. Se eleito, Macron será o presidente mais novo a assumir o cargo, aos 38 anos.

Elemento surpresa

François Fillon está sob forte pressão para deixar a disputa em favor do ex-primeiro ministro Allain Juppé, segundo colocado nas primárias do partido.

De acordo com o Odoxa, se a substituição for concretizada, Juppé fica com a primeira colocação no primeiro turno, com 26,5%, e Macron levaria a outra vaga para o segundo turno, com 25%, bem perto de Le Pen, que chegaria aos 24%.

Segundo turno

O instituto não realizou um levantamento para o segundo turno. No entanto, seguidas pesquisas têm mostrado que qualquer candidato supera Le Pen na disputa final. Caso Macron e Le Pen cheguem juntos ao segundo turno, será a primeira vez desde a fundação da 5ª República francesa, por Charles Degaulle, em 1958, que o pleito não será decidido por pelo menos um dos partidos tradicionais, o Socialista e o Republicano.