A cena é clássica. Moleques brigando na rua e uma plateia de adolescentes colocando mais fogo no confronto, rindo e filmando com seus aparelhos celulares. Ninguém é capaz de ter um rompante de consciência para enxergar o quanto a situação é negativa.

Mas neste vídeo que viralizou nas redes sociais, o desfecho foi inesperadamente positivo. Aconteceu em New Jersey, nos Estados Unidos.

As imagens mostram dois garotos negros com idades entre 14 e 16 anos trocando socos. Eles teriam saído da escola justamente para acertar suas diferenças no meio da rua. Alunos eufóricos com o momento gritavam, riam e filmavam os dois jovens.

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Eles queriam saber quem seria o mais valente e quem ficaria com a pecha de covarde.

Até que, de repente, um rapaz, também negro, aparece para mostrar a todos o absurdo da situação e o quanto todos são perdedores ao agirem assim.

Ele se dirige principalmente aos dois garotos, com frases que os fazem pensar. Mas primeiro, já dispara contra os “amigos”, que se divertem com a situação.

“Todos vocês em seus celulares. Vocês são os verdadeiros covardes”, afirma.

E para os brigões ele faz alguns alertas. “Então vendo? Vocês estão chateados, com raiva, mas eles estão rindo. Veja ele, está com um enorme sorriso. E olha esse cara, que deveria ser seu parceiro”.

E continua com o discurso. “Olhe ao redor. Quem te aconselhou? Quem disse que isso é errado?”.

Depois o jovem olhou no olho de cada adolescente e disse eles são quase homens.

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“Vocês não dão beijinhos mais. Suas garotas já não são garotas. Vocês são homens. Comportem-se como tal e não dessa maneira”.

E parece se dirigir às pessoas que futuramente veriam o vídeo. “Vocês que estão assistindo, eles têm pais”.

“Não façam seus pais serem vistos desta maneira”, pede aos garotos.

Depois ele convence os dois adversários a retomar a amizade. Ele diz que só sairá do local depois que ambos apertarem as mãos, em sinal de paz.

De alguma maneira o vídeo chegou às autoridades do bairro. E Ali foi chamado para receber uma homenagem por sua atitude. Ele se importou não só em separar a #Briga, mas em dar algum exemplo para os jovens. Após a homenagem, ele disse que isso não deveria ser algo surpreendente. Disse que cresceu em casas populares e que sua mãe costumava puni-lo quando aprontava dando-lhe livros, em vez de correção física.

Ali chegou a chorar. E mais do que trazer um exemplo de cidadania, o vídeo acaba mostrando a injustiça de certos preconceitos de cunho religioso, já que ele é muçulmano e vive em um país ocidental, onde parte da população associa devotos do islamismo apenas a terrorismo e morte.