A Itália pode se tornar em breve o primeiro país na Europa a oferecer três dias por mês de "licença menstrual" as #mulheres trabalhadoras. Para aliviar aqueles dias em que as elas sofrem dores com as cólicas menstruais, o Parlamento italiano está debatendo uma lei que, se aprovada, dará direito a todas as mulheres a três dias extras de licença por mês. A edição italiana da revista feminina Marie Claire a saudou a proposta como "um estandarte do progresso e da sustentabilidade social".

A lei está sendo encarada com bons olhos por muitas pessoas. Isso apesar de a Itália ter uma das taxas mais baixas de trabalhadoras na Europa.

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Apenas 61% das italianas trabalham, comparado com os 72% da média da Europa.

Alguns defensores dos direitos das mulheres temem que a lei possa agravar isso mais ainda essa situação, desestimulando os patrões de contratar mulheres. "Os empregadores poderiam se tornar ainda mais inclinados a contratar homens em vez de mulheres", escreveu Lorenza Pleuteri na revista Donna Moderna.

Para muitos, as leis trabalhistas italianas até que são bastante generosas para as mulheres. Na verdade, elas têm direito a cinco meses de licença maternidade remunerada, na qual recebem 80% de seu salário. As mães podem ainda tirar uma licença extra de seis meses, recebendo 30% de seus salários, o que não acontece em grande parte dos países.

A economista Daniela Piazzalunga disse ao jornal norte-americano Washington Post que "as mulheres já estão tirando folgas por causa de dores menstruais, mas a nova lei permitiria fazê-lo sem usar folhas de baixa ou outras licenças".

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No entanto, também ela acredita que, se a lei for aprovada, poderia haver "repercussões negativas", falando na possibilidade de as empresas não contratarem tantas mulheres.

"A demanda por empregadas entre as empresas pode diminuir, ou as mulheres podem ser mais penalizadas tanto em termos de salário quanto de progressão na carreira", acrescentou.

Miriam Goi, uma escritora feminista do site Vice Italy, considerou que a lei poderá "acabar reforçando os estereótipos sobre as mulheres serem mais emocionais durante seus períodos".

O projeto foi apresentado por quatro mulheres deputadas do Partido Democrata, que é de centro-esquerda. Não está claro se as mulheres teriam de provar que estavam sofrendo de dor menstrual severa, mas na prática isso seria virtualmente impossível de qualquer maneira.

As mulheres japonesas e sul-coreanas já se beneficiam de uma lei semelhante e algumas empresas, incluindo a Nike, também introduziram a ideia de licença menstrual.

E vocês, o que pensam dessa lei? Deveria ser aprovada em mais países? Comentem! #Política #Menstruação