A CNN, famosa rede de televisão dos Estados Unidos, divulgou nessa sexta-feira (10) que o juiz que perguntou a uma vítima de #Estupro porque ela não manteve os joelhos fechados, renunciou depois de muita pressão.

Em 2014, no Tribunal de Justiça de Calgary, uma das maiores cidades do Canadá, uma moça de 19 anos (cujo nome não foi citado para preservar sua imagem) disse que foi estuprada por Scott Wagar, de 29 anos, na pia no banheiro durante uma festa na casa de amigos, também na cidade de Calgary.

De acordo com os registros do julgamento, o juiz Robin Camp perguntou por que ela não inclinou sua pélvis ou empurrou suas nádegas para dentro da pia para evitar a penetração.

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Ele ainda prosseguiu com seus “aconselhamentos”. “As #mulheres jovens querem ter relação sexual, especialmente se estiverem bêbadas”.

Em outra parte, falando sobre o sexo ele afirmou: “Às vezes, sexo e dor andam juntos, e isso não necessariamente é uma coisa ruim”.

Depois disso tudo, o juiz Camp absolveu o acusado do crime com o seguinte conselho: “Eu quero que você diga a seus amigos que eles têm que ser muito mais gentis com as mulheres. Eles têm que ser muito mais pacientes e eles têm que ter muito cuidado".

Os comentários vieram à luz depois que o Alberta Court of Appeal (Tribunal de Apelação de Alberta) anulou a absolvição. Em novo julgamento, o homem foi inocentado uma segunda vez, e Camp disse que esse fato contribuiu para a sua alegação de que o acusado merecia uma segunda chance.

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A vítima em choque afirmou que o juiz fez com que ela se odiasse e se sentisse como uma prostituta.

Afastamento

Depois de muita repercussão, o juiz Robin Camp pediu desculpas, disse que estava arrependido e afirmou ser passível de reabilitação. Ele ainda alegou que não recebeu treinamento sobre como agir em casos de assédio sexual e estupro.

Isso indignou o Conselho Judicial do Canadá, que recomendou sua destituição imediata em relatório: "Descobrimos que a conduta do juiz, vista na sua totalidade e à luz de todas as suas consequências, foi tão profundamente destituída do conceito de imparcialidade, integridade e independência do papel judicial, que a confiança pública foi minada, o que torna o juiz incapaz de executar o escritório judicial”.

A ministra de Justiça, Jody Wilson-Raybould, enfatizou ainda: “Não estamos dispostos a aceitar nenhum modo de violência de gênero”.

Na última quarta-feira (8), o juiz pediu afastamento do cargo. Na sequência, Camp foi afastado sumariamente de seu cargo. #Canadá