Na sexta-feira (10), milhares de nativos estadunidenses tomaram as principais avenidas de Washington, capital dos Estados Unidos, para exigir respeito às suas terras, cultura, religião, água, bem-estar ambiental e econômico das tribos, contra a invasão do capital petroleiro pela construção do extenso oleoduto "Dakota Acess Pipeline".

Com a palavra de ordem central "Standing Rock foi apenas o começo", milhares de nativos estadunidenses se concentraram em frente à sede do Corpo de Engenheiros do Exército dos #EUA, depois fizeram ato em frente ao Hotel Trump e concluíram a grande marcha na Praça Lafayette, em frente à Casa Branca.

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O Corpo de Engenheiros do Exército é quem emite as permissões para os cruzamentos de água e concedeu a autorização para o projeto "Dakota Acess Pipeline", no mês passado.

No conjunto, a ordem do Poder Executivo e a autorização do Corpo de Exército, constituiu um duro golpe para os opositores do oleoduto. Por outro lado, os indígenas mostraram que tais decisões darão um novo impulso na luta dos povos nativos. É o que informou à imprensa Dallas Goldtooth, da "Indigenous Environmental Network", um dos grupos mais ativos que organizaram os protestos de Dakota Access, em Standing Rock.

Água é vida

"Água é vida!", foi o grito firme e uníssono que ecoou em Washington. Os povos originários dos EUA encheram as ruas para exigir respeito aos direitos indígenas e à soberania de suas nações, em repúdio ao oleoduto "Dakota Access Pipeline".

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Tudo com muita dança, gritos de guerra, orações, músicas, workshops, alegria, firmeza na defesa dos seus direitos de restituir as terras invadidas e por justiça ambiental. Reivindicaram, também, um encontro dos líderes das nações tribais com o presidente Donald Trump.

"Standing Rock foi apenas o começo", explicou um jornalista da "Indigenous Rising Media", sobre uma das várias ações judiciais contra o governo dos EUA por permitir o projeto "Dakota Access Pipeline", um oleoduto subterrâneo de 1.882 quilômetros de extensão para transportar petróleo dos campos de Bakken, no noroeste de Dakota do Norte. Em linha quase reta, passa por Dakota do Sul, Iowa, e alcança os tanques de petróleo perto de Patoka, Illinois. O projeto iniciado em 2016, que custou US$ 3,8 bilhões, entrará em atividade na próxima semana.

A construção tem sido criticada quanto à sua necessidade e, sobretudo, pelo impacto ambiental em terras sagradas de nativos estadunidenses, entre eles, Meskwaki e várias nações Sioux, em Iowa e Dakota do Sul e Norte.

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Os nativos chamam a atenção, ainda, que tal projeto agride a qualidade da água nessas terras, em especial o Lago Oahe, importante fonte, bem como um cemitério sagrado para os Sioux.

Os protestos nos canteiros de construção, em Dakota do Norte, começaram na primavera de 2016. Os povos indígenas são reconhecidos como protetores da água e defensores das terras de toda a América do Norte. Eles têm muitos apoiadores, inclusive não indígenas.

"Desde o início, entendemos que Dakota Access era apenas uma parte de uma maior luta pelos direitos indígenas e pela soberania indígena", disse Dallas Goldtooth.

Desde o início do seu governo, Donald Trump apoiou o projeto, bem como de outro gasoduto, o Keystone XL, que também recebe os protestos das nações indígenas. #indios americanos sioux #Meio Ambiente