Uma simples análise da conjuntura atual nos mostra que muitos terrenos onde atua o jornalista são hostis. Vivemos em uma sociedade doente, essa é uma triste verdade. Como denunciou o Papa Francisco, na sua incansável luta pela paz e por acolher os desterrados, o #Mundo está vivendo uma "terceira guerra mundial em pedaços".

O jornalista, portanto, é vítima do terrorismo, dos problemas sociais diversos, são agredidos por ambas as partes nos conflitos. E o Brasil é destaque, como noticiado sobre o relatório da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert).

O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) acaba de lançar seu relatório "A Melhor Defesa: Ameaças à segurança dos jornalistas exigem uma nova abordagem" (ou "The Best Defense: Threats to journalists' safety demand fresh approach", versão em inglês, disponível no site cpj.org).

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O documento mostra que os últimos seis anos foram terríveis para os jornalistas, muitas mortes e prisões no exercício da profissão.

Dá uma especial atenção aos jornalistas freelancers, em função dos desafios (favoráveis e vulneráveis) das novas tecnologias da informação, que tem alterado bastante a dinâmica do mercado de trabalho jornalístico. Ou seja, as agências de notícias têm confiado mais nesta categoria de jornalistas na cobertura de conflitos, mas muitas vezes elas [agências] deixam a desejar na proteção dos profissionais. Em função desta realidade, o relatório apresenta uma série de recomendações, treinamentos e equipamentos para a segurança física e digital dos jornalistas.

O CPJ lança um desafio: "Neste contexto de brutalidade e intimidação, os métodos tradicionais de promoção não são suficientes.

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Os jornalistas devem se esforçar para educar-se sobre as ameaças e trabalhar em solidariedade para combater a #Violência e a impunidade. Os grupos de liberdade de imprensa que têm contado com ajuda financeira direta para jornalistas em risco e defesa com os governos devem adotar uma abordagem mais holística incorporando ajuda física, digital e psicológica".

Essa questão do treinamento é seríssima e precisa ser vencida. O relatório enfatiza que os meios de comunicação devem promover treinamentos. Neste particular, os freelancers sofrem mais, em função do caráter temporário de contrato. Os cursos de treinamentos exigem altos investimentos, e as empresas não têm a plena consciência e não estão motivadas para tal.

O coordenador sênior do programa das Américas do CPJ, Carlos Lauría, destacou para o Centro Knight de #Jornalismo que na América Latina "há muitos, muitos problemas para cobrir temas de violência. Ainda há um conflito na Colômbia, embora haja um processo de paz acontecendo; no México, há muitas questões de conflito com o tráfico de drogas, ou há problemas para cobrir o crime em si, e esta prática não é estabelecida".

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Sugestões para jornalistas

São várias sugestões da CPJ para governo, empresas de comunicação, jornalistas e para instrutores de segurança de jornalistas.

Para jornalista, entre outras medidas, sugere-se (a) a realização de pesquisa dos riscos em cada cobertura e sobre as “melhores práticas de organização internacionais de notícias no planejamento e na preparação de reportagens em ambiente hostil”, (b) estar atualizado em primeiros socorros, (c) ter equipamentos de segurança que respondam à realidade de cada pauta, equipamento de comunicação e seguro, (d) garantia a todos os jornalistas (locais e freelancers) de equipamento de segurança necessário e treinamento em segurança.

Carlos Lauría sublinhou a importância de que essas e outras recomendações constantes do relatório sejam conhecidas "para que os jornalistas, que estão cada vez mais empenhados em cobrir conflitos em ambientes hostis, tenham e possam tomar as medidas para trabalhar com mais segurança, proteger seus equipamentos, seus dados, suas fontes e evitar ataques que em muitos casos podem ser letais”.