Essa é a segunda parte da história sobre as investigações do assassinato de Berta Cáceres, que liderava o Conselho Cívico de Organizações Populares e Indígenas de Honduras (Copinh), trazidas pela jornalista freelance Nina Lakhani, em entrevista à agência estadunidense “Democracy Now!”, na quinta-feira (3). Lakhani, que atua no México e América Central, teve sua reportagem "#Berta Cáceres court papers show murder suspects' links to US-trained elite troops", publicada no jornal inglês "The Guardian".

Cárceres foi assassinada a tiros em sua casa, em março de 2016, em La Esperanza, cidade do estado de Intibucá, que fica a 200 quilômetros de Tegucigalpa, capital de Honduras.

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Oito homens foram presos como suspeitos do assassinato da ambientalista. Segundo investigações que correm na Suprema Corte de Honduras, dois teriam sido treinados por militares dos #EUA.

A jornalista Nina, conforme publicado, trouxe alguns pontos reveladores de interesses econômicos das oligarquias locais e de multinacionais naquelas terras indígenas, da etnia lenca, estariam por trás do assassinato da ambientalista Berta Cárceres.

Nina amplia o leque dos possíveis interessados na morte da ativista. Disse que a líder do Copinh virou um grande problema para o Estado hondurenho, pois além da liderança local, recebeu o Prêmio Goldman e ganhou projeção internacional.

Após as diversas derrotas sofridas pelas empresas nacionais e estrangeiras em pretender explorar as terras sagradas da etnia lenca, a empresa privada local Development Energy Corporation (Desa) ganhou uma concessão para construir uma barragem em La Esperanza e explorar o rio sagrado dos lenca.

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Cáceres e seus companheiros desencadearam outra luta, agora contra a Desa.

Segundo a jornalista, o conselho diretor da Desa conta com elites militares (há um ex-oficial de inteligência), políticos, um jurista (ex-ministro da Justiça) e um banqueiro. Todos empenhados em levar adiante um projeto extrativista que, além de agredir a dignidade da população indígena de La Esperanza, degrada a natureza. Cárceres era uma opositora de projeção internacional e lutadora incansável, um problema para tais elites.

A ligação desses interesses com o assassinato da ambientalista fica mais evidente quando a jornalista informa que os suspeitos Douglas Giovanni Bustillo (militar treinado pelos EUA) e Sergio Rodríguez (técnico de médio escalão) são vinculados à Desa. Bustillo foi chefe de segurança da empresa.

No entanto, ela analisa que estes dois não teriam interesses financeiros na empresa. Logo, seria improvável que fossem protagonistas do planejamento do crime. Pois eles são de camadas inferiores no quadro hierárquico do negócio.

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Assim, o planejamento de tal crime foi em nível mais alto, de pessoas com interesses econômicos claros no projeto. Ou seja, os dois suspeitos não teriam nada a ganhar financeiramente com a morte de Cárceres.

Dos oito suspeitos, dois são ligados à Desa, três de vínculos militares e os demais de baixo nível. Nina não tem dúvida que desse grupo de suspeitos presos há os autores materiais do crime.

A jornalista disse que os familiares de Cárceres acreditam que há mais suspeitos soltos, nem todos foram presos, o que prejudica a precisão das investigações, e que a Corte não recebeu todas as informações necessárias para o caso. Os familiares temem a possibilidade de que alguns autores escapem da Justiça. Ou seja, a Suprema Corte precisa ir mais fundo, senão a decisão será passível de erros.

Nina está preocupada com o fato da Justiça não estar à procura dos autores intelectuais, não obstante existirem registros telefônicos dos envolvidos no planejamento e execução do crime. Para ela, faltam respostas às perguntas como: Quem foi o autor da ideia? Quem investiu dinheiro neste projeto criminoso? Quem são os autores intelectuais do assassinato? Para onde levam as provas?

Chegar aos autores é de extrema importância, pois punir a "raia miúda" não conterá o fluxo de crimes, que seguem. #Meio ambiente