Em junho de 2013, a agência de notícias Associated Press (AP) divulgou uma reportagem que despertou a curiosidade da Polônia e da Alemanha. O texto revelou que Michael Karkoc era comandante de uma unidade durante a #Segunda Guerra Mundial, o que implica em uma mentira às autoridades de imigração americanas, para quem, em 1949, ele afirmou não ter feito o serviço militar e ter trabalhado com seu pai durante a Segunda Guerra Mundial.

A AP publicou ainda uma segunda reportagem apresentando provas que, em 23 de julho de 1944, Karkoc foi o mandante do #massacre ocorrido em Chlaniów, na Polônia, uma chacina que somou 44 vítimas, entre homens, mulheres e crianças.

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Após tomar conhecimento destas informações, a Polônia reuniu toda a documentação necessária e agora pede aos Estados Unidos a extradição do ex-comandante para que responda por crimes de guerra e crimes contra a humanidade no território onde foram cometidos.

Karkoc e a 2º Guerra Mundial

Michael Karkoc e seus homens da Legião de Autodefesa Ucraniana (que era subordinada à SS, tropa de elite de Adolf Hitler) incendiaram o vilarejo de Chlaniów e fuzilaram os moradores como retaliação à morte de um major da SS que era responsável pela Legião, onde Karkoc comandava uma companhia.

A SS, sigla em alemão para "Tropa de Proteção", era uma unidade paramilitar que em seu auge chegou a contar com mais de 200 mil membros e tinha como uma de suas grandes funções a proteção de Adolf Hitler e outras autoridades alemãs.

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Mas como o partido #nazista tinha uma influência gigantesca na Alemanha, a polícia passou a fazer parte da SS, e partes do órgão se tornaram agências governamentais, ampliando cada vez mais seu poder e a violência de suas atividades.

O chefe da SS, Heinrich Himmler, foi responsável pelos campos de concentração e extermínio, que combinados com os esquadrões de extermínio comandados por Reinhard Heydrich, são responsáveis pelas mortes de muitos civis que nem ao menos lutavam ou tinham qualquer envolvimento com as atividades da guerra.

Lauren Easton, diretora de Relações com a Mídia da AP, ratificou os textos, garantindo que para ambos houve ampla pesquisa e muitos documentos foram encontrados. O primeiro texto não apresentava provas contundentes de suas ações, somente de que Michael esteve em Chlaniów.

Porém, a AP mostrou na segunda reportagem que teve acesso ao material da inteligência ucraniana, incluindo o depoimento em 1968 de Ivan Sharko, soldado que durante a guerra era comandado por Karkoc, confirmando a história sobre o massacre que ele havia ordenado.

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O nome do soldado, cujo testemunho foi utilizado na pesquisa da AP, foi confirmado por uma lista alemã de nomes de pessoas que serviam na unidade militar. Somando-se a este testemunho, ainda existe um livro de memórias do próprio Karkoc.

Sua família negou diversas vezes que ele tenha tido qualquer envolvimento em crimes de guerra. Seu filho chegou até a questionar o valor das evidências, mas os documentos e testemunhos o contradizem.

A Alemanha arquivou sua investigação em 2015, pois a família de Karkoc reuniu documentos médicos do Hospital Geriátrico onde ele era tratado para provar que possui Alzheimer e não tem condições de saúde para participar de um julgamento. Porém, a Polônia, onde tamanha crueldade ocorreu, não se deixou abater por este argumento. No país, o réu tem que estar presente para que possa haver o julgamento.

O caça-nazistas Efraim Zuroff sugeriu que Michael Karkoc seja reavaliado por médicos independentes, pois é comum os acusados se esforçarem para aparentar doença e fragilidade para fugir de um julgamento, como no caso, que poderia lhe fazer passar o resto de seus dias na cadeia. Os pesquisadores do IPN acreditam que ele pode ainda ser responsável por outros crimes durante seu tempo servindo no exército nazista e estão buscando provas sobre estes crimes.