Após ministros turcos serem impedidos de realizarem comícios no país, o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, reiterou que a Holanda deveria ser punida com sanções internacionais. Segundo ele, o país europeu está agindo como "uma república de bananas" e que, além de pagarem um preço alto pela atitude, irão aprender o que é #Diplomacia.

Através do primeiro-ministro, Mark Rutte, o governo holandês afirmou que a atitude turca é irresponsável, além de estar sendo completamente inaceitável. O cerne da tensão diplomática surgiu no último sábado (11), quando autoridades holandesas proibiram a aterrissagem do avião no qual estava o ministro turco das Relações Exteriores, Mevlut Cavusoglu.

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Causas

O chanceler foi impedido de adentrar território holandês em razão de um comício que realizaria em favor de um referendo presidencial que, se aprovado depois de uma consulta popular, conferirá a expansão de poderes do atual presidente. A mudança busca a transição do parlamentarismo para o presidencialismo, na qual, com autoridade concentrada, o presidente poderia até dissolver o parlamento. Os turcos decidirão sobre a proposta em 16 de abril.

Outro episódio que contribuiu para a #Crise, foi a expulsão da ministra da Família do país, Fatma Betul Sayan Kaya. A turca estava na cidade portuária de Roterdã quando, ao tentar chegar ao consulado da Turquia na cidade, para a realização de um comício, foi impedida, sendo, em seguida, escoltada até sair do território holandês e ser deixada na fronteira da Alemanha.

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O tratamento foi, segundo ela, "desumano e imoral".

O presidente turco deferiu mais uma vez críticas ao governo holandês, causando polêmica, no entanto, ao classificar que as atitudes tomadas possuem vestígios nazistas e declarar que há ali uma nação fascista. O ministro das Relações Exteriores convocou hoje (13) o mais influente diplomata holandês na Turquia para que pudesse realizar, formalmente, um protesto contra seu país, além de afirmar que o embaixador da Holanda em Ancara, que se encontra em viagem ao exterior, não retornasse ao trabalho, sem, contudo, atestar previsão para a retomada de suas funções.

Com a finalidade de utilizar a liberdade de expressão existente na Europa, o presidente procura votos nos imigrantes em diferentes nações. Apenas na Alemanha, são mais de 1 milhão e meio de eleitores turcos. Na Holanda, mais de 400 mil. Os críticos do presidente afirmam que ele procura se beneficiar das livres discussões na sociedade europeia para consolidar seu poder com viés antidemocrático na Turquia.

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Após a tentativa frustada de golpe em 2016, o governo de Erdogan ordenou à prisão milhares de opositores e jornalistas.

Apoio internacional

Diferentes nações europeias declararam estarem em defesa da Holanda. O premiê da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen, propôs ao atual primeiro-ministro turco que adie a viagem programada ao país que seria realizada ainda em março. A justificativa foi que não se poderia "dissociar os atuais ataques turcos contra a Holanda da visita que era planejada", revelou o dinamarquês.

A Alemanha, assim como a Áustria e a Suíça, também negaram a execução de comícios que seriam realizados por autoridades turcas. O governo alemão emitiu justificativa de que se tratava de problemas de segurança.

Eleição na Holanda

Os holandeses enfrentarão as urnas nesta quarta-feira (15), momento em que decidirão o novo primeiro-ministro. O atual governo, cujo líder é Mark Rutte, vem sofrendo baixas de apoio popular para seu maior adversário, o ícone da extrema-direita holandesa, Geert Wilders, que protagoniza uma discurso de contrariedades aos imigrantes e ao islã, defendendo o tom nacionalista. Portanto, a crise diplomática só restará para inflamar os últimos debates políticos. #Política