Berta Cáceres foi uma das fundadoras do Conselho Cívico de Organizações Populares e Indígenas de Honduras (Copinh), em 1993. Entre suas destacadas atividades, o Copinh, sob a liderança de Cáceres, lutou contra projetos de empresas da mineração e energia, entre elas multinacionais.

Berta lutou também contra um golpe militar de 2009, no seu país. O regime saído deste movimento castrense tinha por trás interesses econômicos de oligarquias locais e empresas estrangeiras.

Em 2015, a ambientalista recebeu o Prêmio Goldman, honraria especial oferecida às pessoas que se destacaram na defesa do meio ambiente. Cáceres, que deixou quatro filhos, ganhou projeção na luta contra a construção da hidrelétrica Agua Zarca em áreas consideradas sagradas pelos indígenas da etnia lenca, origem da ativista.

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Segundo informou a agência notícias estadunidense Democracy Now!, oito homens foram presos como suspeitos do assassinato de Cárceres, entre eles um militar da ativa do Exército hondurenho e dois aposentados das Forças Armadas. Destes oito suspeitos, dois teriam sido treinados por militares dos Estados Unidos, segundo aponta até agora a análise judicial em curso na Suprema Corte de Honduras.

Essas informações foram passadas pela jornalista freelance Nina Lakhani em entrevista à agência de notícias nesta quinta-feira (3). Lakhani sublinhou que os #EUA, no período 2008-2014, treinaram diversas forças especiais na América Central, e por 21 vezes em Honduras.

Dos militares presos, dois pertencentes às Forças Especiais foram acusados do assassinato de Cáceres e da tentativa de assassinato do ativista Gustavo Castro.

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São os militares major Mariano Diaz e o sargento Henry Hernandez, que em 2013 foi aposentado.

Além das gravações de ligações telefônicas, testemunhas disseram à jornalista Lakhni e a outros pesquisadores que na noite do assassinato de Cáceres não havia nenhum militar no posto de controle policial e militar na entrada de La Esperanza, cidade do estado de Intibucá, em Honduras.

No entanto, foi constatado que, por gravações telefônicas e os próprios testemunhos de Hernandez e Douglas Giovanni Bustillo, que teve treinamento militar nos EUA, na Escola das Américas, lançam sobre estes fortes suspeitas de terem planejado o crime. Pois, naquele período, eles atuavam em segurança privada em La Esperanza.

"Sabemos que estava em La Esperanza pelo menos três vezes nas semanas que antecederam o assassinato. E pelo menos quatro pessoas estavam lá naquela noite. Hernandez admite que estava lá", disse a jornalista.

Ela destacou, ainda, que de três civis acusados de participação no crime foram colocados na casa da vítima, conforme revela a análise de dados telefônicos.

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"Eles entraram, sabiam o que estavam fazendo, sabiam para onde estavam indo. Todas as evidências apontam para a casa", completou Lakhani.

A jornalista explicou que La Esperanza é um local protegido, vigiado, isolado e muito escuro. Ela disse que havia um guarda naquela noite, e que este provavelmente se comunicava com Hernandez e que eles sabiam onde Cáceres morava (dormia). Hernandez foi militar das Forças Especiais, sendo atirador de elite.

"Não está claro se ele [Hernanez] puxou o gatilho naquela noite, mas parece que ele estava no comando da operação durante a noite", completou a jornalista. Lakhani acredita que nem todos os oito presos são responsabilizados pela morte de Cáceres.

Agora é aguardar o avanço das investigações judiciais para saber quem é ou quais são os verdadeiros assassinos da ambientalista Berta Cáceres. Segundo a agência de notícias, Cáceres alertara várias vezes receber ameaças de morte, o que não a intimidou de prosseguir na luta em defesa do #Meio Ambiente e das sagradas terras indígenas de sua etnia, em detrimento de grandes interesses econômicos locais e de multinacionais.

Familiares e companheiros de luta da vítima responsabilizaram o governo Juan Orlando Hernández e demais autoridades locais e exigiram investigações do assassinato. #ecologia