O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, propôs, nesta segunda-feira (27), o incremento de 10% no orçamento militar do país, ou US$ 54 bilhões dos atuais US$ 583 bilhões, o que elevará para mais de US$ 600 bilhões os gastos bélicos anuais. Por seu turno, segundo denunciam especialistas estadunidenses, ele reduzirá os orçamentos da Agência de Proteção Ambiental e do Departamento de Estado, entre outros órgãos.

O presidente disse que quer programar um aumento histórico na área militar, o que deverá deixar mais tenso o tabuleiro de xadrez da geopolítica internacional, além da política interna. A proposta de #Trump será discutida no Congresso do país.

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Sobre a afirmativa dele em querer um aumento histórico nos gastos militares, a deputada democrata Barbara Lee, da Califórnia, criticou em sua conta no Twitter. "O orçamento moralmente falido do presidente Trump irá canalizar mais dinheiro para o Pentágono às custas dos pobres [e] do nosso planeta. Esta é uma ideia horrível", disse.

A agência de notícias estadunidenses Democracy Now! falou com Neta Crawford, codiretora do Projeto Custos da #Guerra e professora de Ciência Política na Universidade de Boston. Em setembro, ela divulgou um relatório no qual é revelado que os Estados Unidos gastaram quase US$ 5 trilhões desde os ataques de 11 de setembro de 2001 para segurança interna e nas guerras no Iraque, no Afeganistão, na Síria e no Paquistão.

Em sua argumentação, Trump disse que as Forças Armadas do país estão "esgotadas" e "em um momento em que mais precisamos dela".

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Ele completou, em tom bastante belicista: "Devemos assegurar que nossos corajosos militares e mulheres tenham as ferramentas de que precisam para deter a guerra e, quando chamados a lutar em nosso nome, façam apenas uma coisa: vencer. Temos que ganhar".

Não bastando, a jornalista Amy Goodman informou que alguns republicanos, incluindo o senador John McCain, estão criticando Trump por não buscar ainda mais dinheiro para os militares. Ou seja, os republicanos estão achando pouco.

Neta Grawford disse que o aumento de 10% é histórico, pois não houve aumento desta magnitude em tempo de paz ou, de fato, desde 2002, quando os Estados Unidos estavam iniciando a Guerra do Iraque. Ela sublinha na memória de guerra recente tal incremento no orçamento militar "é sem precedentes, em certo sentido".

Falta de estratégia e efeito devastador

A professora acredita que tal proposta não é clara quanto à adoção de tais recursos. Falta uma definição de estratégia para este aumento. "Na verdade, isso fará mal aos Estados Unidos, internamente e no exterior, eu acho, nos tornam mais inseguros", avalia.

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O jornalista Juan González perguntou à professora Neta Grawford se tal aumento de gastos militares não é uma estratégia de Trump para incrementar todos os setores militares, bem como a capacidade de mísseis.

Ela concordou e acrescentou que o governo Trump vai aumentar o arsenal nuclear, a capacidade dele para fazer guerras nucleares mais flexíveis, se isso fosse possível. Ele vai aumentar o tamanho do Exército, aumentar o contingente dos fuzileiros navais, a superfície e a força submarina da Marinha dos #EUA.

No entanto, ela discorda sobre a necessidade (e clareza) desse incremento bélico. "Os Estados Unidos já tem mais de uma dúzia de porta-aviões, muitos submarinos. Nós realmente não precisamos aumentar o tamanho da Marinha. Ele pode fazer o que precisa fazer, mas não está claro o que precisa fazer", afirmou.

Ela reforçou que a proposta do Trump não é um plano. E acrescenta: "E, de fato, os EUA poderiam diminuir seus gastos militares em 10%, 20%, na verdade, e ser tão seguros, provavelmente mais seguros".

A professora mostra um efeito devastador, caso seja aprovado esta proposta de Trump. O governo dos EUA, além de querer aumentar (renovar) o seu poderio bélico em suas campanhas pelo mundo também, está aumentando o militarismo internamente. Ela disse que mais de metade de todos os gastos discricionários do país é gasto com as forças armadas.