Os jornalistas da agência de notícias estadunidense Democracy Now!, na segunda-feira (17), entrevistaram analistas experientes para comentar sobre a crise na Península Coreana sob diversos aspectos. Em resposta ao jornalista Juan González, o historiador da Universidade de Chicago Bruce Cumings disse que a imprensa tem relatado a crise na Península Coreana de forma estanque, sem considerar o histórico dos conflitos anteriores. "Cada crise é tratada como se realmente não tivesse fundo".

É muito importante recorrer à história, contextualizada, para que os fatos fiquem mais claros para o público e que medidas diplomáticas progridam para impedir a #Guerra total, que não seria bom para nenhuma das partes nem para o mundo.

Publicidade
Publicidade

Cumings lembrou que a intimidação estadunidense remonta à Guerra da Coreia, em 1958.

Os #EUA instalaram centenas de armas nucleares na Coreia do Sul. "Os EUA foram o primeiro país a trazer armas nucleares para a península. E a #Coreia do Norte, essencialmente, desde o final da década de 1950, teve que encontrar uma maneira de impedir os EUA de usar essas armas". Uma forma foi construir mais de 15 mil instalações subterrâneas para segurança do país.

Ele deu razão à professora da Universidade da Califórnia Christine Hong quando esta disse que o ex-presidente Barack Obama também teve uma política de guerra contra a Coreia do Norte. Lembrou, por exemplo, que Obama ameaçou muitas vezes os norte-coreanos com armas nucleares, por meio do envio de aviões bombardeiros B-2, a partir da Coreia do Sul.

Publicidade

Sendo assim, foi inevitável que a Coreia do Norte procurasse os meios para conter tais ameaças.

O historiador é de opinião que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aumentou mais ainda as tensões e que, inclusive, ameaçou assassinar o presidente norte-coreano Kim Jong-un, bem como realizar um ataque preventivo, entre outros. No entanto, ressalta Bruce Cumings, é fácil para os EUA lançarem 59 mísseis na Síria, bem como testar a MOAB, "Mãe de Todas as Bombas". Mas não está claro, completa o analista, qual será o resultado disto. No entanto, Trump está fazendo seus jogos de guerra e que talvez contra a Coreia do Norte possa resultar num "desastre completo".

O jornalista Juan González lembrou que em 1968 a Coreia do Norte apreendeu o Pueblo, um navio de vigilância estadunidense com mais de 80 militares na Península Coreana. Os norte-coreanos prenderam todos. Como parte de um acordo de soltura, os EUA se desculparam.

Em 1969, a Coreia do Norte abateu um avião de vigilância da Força Aérea estadunidense.

Publicidade

Morreram 30 militares dos EUA. Ou seja, há um histórico (de protagonismo ameaçador dos EUA) que precisa ser considerado quando se analisa a crise atual.

O historiador corroborando com o jornalista, acrescentou que o navio Pueblo foi contido em janeiro de 1968. "Eu estava no Corpo de Paz naquela época. Isso criou uma enorme crise. Lyndon Johnson queria atacar a Coreia do Norte em retaliação, mas foi informado de que nossos bombardeiros em bases sul-coreanas só tinham armas nucleares".

Cumings disse que a crise que mais se assemelha à atual foi a de 1994, com Bill Clinton na presidência dos EUA. Por pouco este presidente não lançou um ataque preventivo na usina de plutônia de Yongbyon. Lembrou que o ex-presidente Jimmy Carter foi até Pyonqyang para falar com o então presidente norte-coreano Kim II-Sun, conseguindo oito anos de congelamento de todo o plutônio da Coreia do Norte.

Uma maneira fácil de resolver o conflito atual, segundo o professor, seria reativar as conversações diretas dos EUA com a Coreia do Norte, normalizar as relações e garantir que os estadunidenses não atacaram os norte-coreanos. É o melhor, e o que recomenda vários analistas sérios. O último final de semana trouxe muita preocupação para um mundo tão adoentado como está.