O ataque dos Estados Unidos contra o território sírio, na quinta-feira (6), sem aprovação do Congresso do país e do Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU), trouxe mais inquietação ante um possível confronto com a Rússia, Irã, entre outros aliados da Síria. A situação poderá se agravar mais ainda, caso os líderes mundiais não estabeleçam uma mesa de discussão diplomática da crise na Síria e em outras regiões do globo.

Pela primeira vez os #EUA agridem militarmente da Síria, desde o início da #Guerra civil neste país, há mais de seis anos. O governo Donald Trump alegou que o uso da força contra a Síria foi a resposta ao uso, pelo governo Bashar al-Assad, da base aérea de Shayrat para realizar o ataque químico que matou 86 pessoas, entre elas 30 crianças, em 3 de abril.

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A Síria nega tal acusação. Os EUA disseram que esta base faz parte de um programa de armas químicas do governo sírio.

A decisão dos EUA de bombardear a base aérea síria foi unilateral, o presidente #Trump apenas avisou rapidamente e autorizou a ação militar em território Sírio, por meio de navio estacionado no mar Mediterrâneo. Segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), a ação matou quatro militares. Segundo especialistas, o governo Trump parece ter arrumado uma desculpa para por em curso seus interesses estratégicos para além do Oriente Médio. Logo após bombardear a Síria, os EUA mobilizaram forças militares para o mar ao sul da China, com o argumento de defender a Coréia do Sul das hostilidades do governo norte-coreano.

Há que se atentar para o fato de que os EUA estão querendo se somar ao Japão, França, Índia, entre outros, na disputa contra a China pela posse de ilhas no mar asiático, que tem potencial petrolífero.

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E também tem a ver com o desejo dos EUA pelo rompimento entre China e Coréia do Norte quanto ao programa de mísseis nucleares dos norte-coreanos. Ou seja, se não houver uma séria discussão diplomática para resolver tais questões, o mundo poderá ter uma guerra de grandes proporções dada o poderio bélicos das nações envolvidas.

Há opiniões diversas sobre a ação militar dos EUA contra a base aérea síria. Em entrevista à agência de notícias estadunidense Democracy Now!, a escritora Lina Sergie Attar, sírio-americana, disse que ficou "muito feliz, pois é uma base aérea a menos".

Foram entrevistados, também, Alia Malek, jornalista e que foi advogada de direitos humanos, e Phyllis Bennis, do Instituto de Estudos Político. Phyllis acredita que há muita hipocrisia neste caso por parte da administração Trump, bem como ambos os lados, na Síria, estão violando o direito internacional.

Malek acredita que Trump quis se diferenciar do seu antecessor [Barack Obama] e mostrar que é um líder de ação, mas que os interesses estratégicos de Trump ainda não estão claros.

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Acredita, também, que o presidente estadunidense promoveu esta ação militar para poder se livrar das intrigas de um possível apoio de Putin à sua eleição.

A jornalista está preocupada com os efeitos desta ação militar estadunidense, ou seja, em que medida o regime Assad continuará suas ações e que, possivelmente, ele procurará tirar proveito do ataque dos EUA. Ela teme, também, que os civis continuem a pagar o preço ante um governo que está perdendo sua personalidade.

Para Lina Sergie Attar, os sírios não querem continuar a ver mortes provocadas pela guerra civil, bem como não desejam ver os ataques aéreos estrangeiros em seu território. Com seis anos de conflito, lembrou Attar, mais 500 mil pessoas morreram na Síria. Ela alimenta a esperança de que não haja mais mortes por armas químicas.

Phyllis Bennis se mostrou preocupado com o fato de Donald Trump só manifestar, na ação militar, os interesses estadunidenses, em detrimento dos interesses dos sírios. Embora Trump tenha se mostrado emocionado ao ver crianças sírias mortas pelo suposto ataque químico, não tem manifestado a mesma emoção em relação a outras regiões do Oriente Médio onde crianças morrem diariamente, bem como não há por parte de seu governo abertura para as famílias desterradas, proibidas de entrar nos EUA.

Nesse sentido, Bennis disse que o governo Trump é hipócrita, bate a porta na cara de famílias desterradas, que "estão tentando desesperadamente encontrar refúgio em algum lugar". Ele acredita que, "infelizmente", o bombardeio dos EUA contra base aérea síria não mudará o equilíbrio de forças militares na região.