O jornal norte-americano The New York Times publicou na semana passada uma reportagem alertando para uma verdadeira caçada a homossexuais promovida pelo governo da #Chechênia, que já teria vitimado cerca de 100 indivíduos. Poucos dias depois, no sábado (8), o grupo Russian LGBT Network colocou em seu site uma declaração alertando para a possibilidade da existência de um campo de concentração na cidade de Argun, para o qual gays estariam sendo levados.

A República da Chechênia, de população majoritariamente muçulmana, é um país localizado na região Norte do Cáucaso e que faz parte da Federação da Rússia. No sábado anterior, 1º de abril, uma publicação russa confirmou a detenção em massa de pessoas que apresentavam "atividades sexuais suspeitas", incluindo dois repórteres televisivos e um garçom, assassinados, cujas identidades foram reconhecidas.

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Acredita-se que o número de mortos seja bem maior.

Uma história a respeito da ação de autoridades chechenas prendendo e assassinando homossexuais já circulava entre ativistas dos #Direitos Humanos após ligações feitas à central mantida pela Russian LGBT Network no país em que um indivíduo denunciava que um amigo havia sido preso por "suspeita de homossexualidade".

Esse amigo foi detido em uma sala com cerca de 30 homens, todos apreendidos pelo mesmo motivo. Ele foi espancado com uma mangueira e torturado com choques elétricos até declarar que era gay, de acordo com a denúncia.

Outra pessoa que entrou em contato com a Network revelou uma prisão após um jovem de 16 anos ter suas mensagens monitoradas pela rede social VKontakte. O adolescente foi torturado por vários dias e liberado sem mais explicações.

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Uma fonte anônima testemunhou também ter sido levado a um local em Argun que parecia ser abandonado, mas onde ocorriam torturas em massa de presos.

As denúncias foram recebidas entre os dias 29 de março e 2 de abril, levando o grupo ativista a publicar uma nota em que se prontificava a realizar uma evacuação na Chechênia, a qual vem sendo apoiada pela Anistia Internacional. A perseguição parece ter começado após um grupo pelos direitos LGBTs localizado em Moscou ter protocolado um pedido para a realização de paradas gays em quatro cidades russas localizadas no Norte caucasiano - embora nenhuma delas esteja localizada na Chechênia.

Alvi Karimov, porta-voz do presidente Ramzan Kadyrov, responsável pela implantação de leis com preceitos muçulmanos no país, declarou que a existência de um local destinado à prisão de gays no país é impossível, pois não existem homossexuais na Chechênia. #Homofobia