A maioria de nós não gosta de pensar ou falar sobre a morte, mas há algumas pessoas que convivem diariamente com isso. Na região de Toraja, em Sulawesi, na #Indonésia, os mortos são uma parte constante do dia a dia das famílias. A sala de estar de painéis de madeira lisos, sem móveis e apenas algumas fotos na parede está cheia de vozes tagarelas e cheiro de café. É um encontro familiar íntimo. "Como está o seu pai?", um convidado pergunta ao anfitrião, e o humor de repente muda. Todo mundo olha para a pequena sala no canto, onde um velho está deitado em uma cama colorida. "Ele ainda está doente", responde sua filha, Mamak Lisa, calmamente. Sorrindo, Mamak Lisa se levanta e se aproxima do velho, sacudindo-o suavemente.

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"Pai, temos alguns visitantes aqui para vê-lo. Espero que isso não faça você se sentir desconfortável ou com raiva", diz ela.

Seria uma situação normal, a não ser pelo fato que seu pai morreu há 12 anos, e Mamak Lisa ainda mantém seu corpo na casa da família. Sua pele parece áspera e cinza, pontilhada com inúmeros buracos, como se comido por insetos. O resto de seu corpo é coberto por várias camadas de roupas. E ninguém se importa. Faz parte da realidade do povo de Toraja.

Quando uma criança grita: "Vovô, acorde e vamos comer!", Mamak Lisa então o repreende e diz: "Shhh ... Pare de incomodar o avô, ele está dormindo", diz a mulher.

As crenças na região tornam os mortos muito presentes no mundo dos vivos. Depois que alguém morre, podem passar meses, às vezes anos, antes de acontecer o funeral.

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Enquanto isso, as famílias mantêm seus corpos em casa e cuidam deles como se estivessem doentes. A eles é servido comida, bebida e cigarros duas vezes por dia. Eles são lavados e têm suas roupas alteradas regularmente. Os mortos ainda têm uma tigela no canto do quarto como seu "banheiro". Além disso, os mortos nunca são deixados por conta própria e as luzes são sempre deixadas acesas para eles não ficarem no escuro.

As famílias se preocupam, pois, se não cuidarem adequadamente dos cadáveres, os espíritos de seus entes queridos, lhes darão problemas.

Tradicionalmente, folhas especiais e ervas são esfregadas no corpo para preservá-lo. Mas, hoje em dia, um conservante químico, a formalina, é injetada em seu lugar. Ele deixa um cheiro químico forte na sala.

De acordo com a crença dos #Torajan, quando os funerais acontecem, a alma finalmente deixa esta terra e começa sua viagem longa e dura em Pooya. Esse é o estágio final da vida após a morte, onde a alma reencarna. Acredita-se que os búfalos sejam os portadores da alma da vida após a morte e é por isso que as famílias sacrificam o maior número deles. Isso porque o fato poderia acelerar o processo de reencarnação. Confira algumas fotos. Cuidado, as imagens podem ser perturbadoras.

Cena de um funeral

Assista também ao vídeo (inglês).

#Mortos e vivos