Na quinta-feira (13), militares dos Estados Unidos lançaram no Afeganistão a GBU-43/B Massive Ordnance Air Blast, atacando o esconderijo do Estado Islâmico no distrito de Achin, da província de Nangarhar. O Ministério da Defesa do #Afeganistão calculou no domingo (16) o número de mortos em 95 militantes e não civis.

O ex-presidente afegão Hamid Karzai acusou os EUA de usarem o Afeganistão como campo de testes de armas depois do ataque da GBU-43 Massive Ordnance Air Blast, conhecida como a "mãe de todas as bombas". Também descreveu o ataque como uma “imensa atrocidade contra o povo afegão”.

Os EUA usaram sua maior arma não-nuclear nos túneis do Estado Islâmico na província afegã de Nangarhar, na semana passada, matando quase 100 militantes.

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Karzai disse, nesta segunda-feira (17), que se opôs ao uso da arma, dizendo que seu país “foi usado com muito desrespeito pelos EUA para testar suas armas de destruição em massa”. Há poucos dias também acusou seu sucessor, Ashraf Ghani, de cometer traição, permitindo que militares dos EUA usassem o míssil contra o Estado Islâmica (ISIS, na sigla em inglês).

Além de condenar o ataque, ele prometeu se posicionar contra a América, no que pode sinalizar uma reação política mais ampla que pode por em perigo a missão militar dos EUA no país. Karzai utilizou seu Twitter para condenar o ataque e disse que “esta não é a guerra contra o terror, mas o uso desumano e mais brutal do nosso país como campo de testes para novas e perigosas armas” e que “está sobre os afegãos impedir os EUA”.

Durante um evento em Cabul, Karzai minou Ghani questionando como ele permitira que os “EUA usassem um dispositivo igual a uma bomba atômica em seu país”, e que se o governo permitiu isso ”estava errado e cometeu traição nacional”.

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Embora a bomba tenha sido descrita como um dos maiores dispositivos não-nucleares já utilizados, seu poder destrutivo equivalente a 11 toneladas de TNT é pequeno comparado as bombas atômicas relativamente pequenas lançadas no Japão em 1945, com explosões equivalentes entre 15 e 20 mil toneladas de TNT.

O gabinete de Ghani disse que o ataque foi coordenado de perto pelas forças afegãs e norte-americanas, respondendo as acusações de Karzai com uma declaração dizendo que “todo afegão tem o direito de falar”, pois é um “país de liberdade de expressão”.

Este evento ocorre um dia depois que o conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, General H. McMaster, chegou a Cabul em sua primeira visita ao país como enviado do presidente Donald Trump. McMaster disse em seu Twitter que estava preparado para “conversas muito importantes sobre cooperação mútua” com o presidente Ghani e outros funcionários do governo.

Uma declaração do gabinete de Ghani disse que McMaster discutiu sobre questões de segurança e esforços de combate ao terrorismo e reformas no combate à corrupção.

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“Como resultado dos esforços conjuntos das forças afegãs e internacionais, não haverá refúgio para os terroristas no Afeganistão”, disse McMaster, esclarecendo pouco sobre o curso de ação do governo Trump no país.

As tropas da Otan (Organização do Atlântico Norte), lideradas pelos EUA, estão no Afeganistão desde 2011, depois da expulsão do regime talibã por se recusar a entregar Osama Bin Laden. Os EUA têm cerca de 8,4 mil soldados no país, com cerca de outros 5 mil de aliados da Otan, com esforços para negociar um acordo de paz entre Cabul e o Talibã.

McMaster disse ainda à rede ABC que os Estados Unidos ainda apoiarão forças aliadas na Síria. Espera-se que os EUA forneçam armas adicionais às Forças Democráticas Sírias apoiadas pelo país para ofensiva de Raqqa, mas não esclareceu sobre as tropas.

Na semana passada, Trump pareceu promover uma intervenção militar mais profunda na Síria, além de ataques de retaliação, se o presidente Bashar al-Assad continuasse a atacar civis com armas químicas.

Os militares russos dizem ter testado um dispositivo mais poderoso, apelidado de “pai de todas as bombas”, embora não haja relatos que tenha sido usado em ação. Este comentário foi feito uma semana depois que o presidente Trump ordenou ataques com mísseis contra a Síria e durante um potencial conflito em meio às crescentes tensões dos EUA com a Coreia do Norte. #relações internacionais #MaedeTodasasBombas