No último sábado (15), um comboio de ônibus que transportavam refugiados oriundos das cidades sírias Al-Fu'ah e Kafraya – tomadas pela guerra civil que assola o país – foi atingido pela explosão de um carro-bomba em Rashidin, subúrbio de Aleppo, o que acabou resultando na morte de 126 pessoas, 68 das quais eram crianças.

O transporte dessas pessoas estava sendo realizado em função de um acordo de evacuação estabelecido entre o regime de Bashar al-Assad e os rebeldes sírios que lutam contra o atual governo, quando a tragédia aconteceu.

No exato momento do incidente, o fotógrafo e ativista Abd Alkader Habak estava trabalhando no local, e foi nocauteado pela onda de choque deflagrada pela detonação.

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Assim que recuperou os sentidos, Habak levantou-se, e juntamente com alguns de seus colegas de profissão que também se encontravam ali, foi em direção às pessoas diretamente atingidas no atentado para tentar ajudá-las, quando constatou que muitas das crianças que integravam o comboio de refugiados estavam mortas.

A primeira criança para a qual o fotógrafo se dirigiu em uma tentativa de prestar socorro já estava sem vida. Depois disso ele foi até um menino, apesar dos avisos que escutou de que esta também era outra vítima fatal da explosão. No entanto, ao examinar o garoto, Habak percebeu que ele ainda respirava com dificuldade, então o envolveu em seus braços e correu até uma ambulância – momento em que a fotografia do resgate foi tirada por Muhammad Alrageb.

Cenas horríveis

Abd Alkader Habak manteve sua câmera ligada mesmo enquanto realizava o socorro, e em entrevista à rede de notícias CNN, relatou que o menino estava segurando firmemente sua mão, ao mesmo tempo em que o olhava.

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O fotógrafo disse que deixou a criança, que ele estimou ter entre seis e sete anos de idade, com os médicos da ambulância para a qual correu – entretanto, afirmou não saber se o garoto sobreviveu aos ferimentos.

Depois deste resgate, Habak se dirigiu novamente para o local da explosão para ajudar mais pessoas, quando encontrou mais uma criança morta no chão. Neste momento, ele não suportou mais presenciar a devastação e colapsou de joelhos, chorando copiosamente ao lado do pequeno corpo.

O profissional explicou à CNN que naquele instante foi "dominado pela emoção", e declarou à rede de notícias americana: "A cena foi horrível, especialmente vendo crianças chorando e morrendo na sua frente".

Até o momento, nenhum grupo assumiu a autoria deste atentado. #Guerra Civil #Conflito na Síria