De roupas pretas, quase sempre caladas ou rezando. É assim a vida de boa parte das freiras. A irmã Francisca, no entanto, viu seu dia a dia de paz chegar ao fim, a partir do momento em que seu convento, localizado na cidade de Santiago, no Chile, recebeu homens para uma obra. A então vida fechada a sete chaves passou a ser dividida com outros homens operários. Em entrevista à uma emissora de TV local, a freira disse que a partir daquele momento começava o seu calvário. A notícia ganhou repercussão em todo o mundo, inclusive, aqui no Brasil, como noticiou o portal de notícias R7 nesta sexta-feira, 7.

O #Crime ocorreu no ano de 2002, quando a superiora de Francisca deixou que os homens dormissem no mesmo local que as freiras.

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A madre superiora decidiu escalar sua freira de confiança para cuidar deles. Ela fez tal tarefa com dedicação. Em um dia, no entanto, ela acordou se sentindo fraca e debilitada. Mesmo assim, continuou na sua missão de servir. Um dos homens operários, identificado como Hernán Rios Valdivia, aproveitando-se da situação, a levou para um quarto mais isolado do convento e ali aconteceu o estupro. O dia assustador ainda é lembrado na vida de Francisca, que chama os acontecimentos daquela data de um golpe para sempre.

A freira entrou em uma situação de trauma. Ela não sabia como agir. Por isso, mesmo sendo vítima de algo tão grave, ficou na dela, não contou para ninguém o que estava acontecendo e teve medo, em especial que passasse como uma mentirosa diante das demais irmãs. "Como mulher, me senti incapaz de falar, com medo de não acreditarem em mim e fazer ameaças.

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E eu preferia ficar quieta", contou ela em entrevista à televisão de seu país. Três meses depois, no entanto, suas menstruações atrasaram e ela descobriu o pior, estava grávida. A partir desse momento, ela passou a ser hostilizada no convento, que não gostou nada de saber que uma freira estava grávida.

Francisca diz que as irmãs acusaram ela de forçar a gravidez. Ela, em seguida, ainda foi forçada a abandonar o hábito. A irmã então começou a ser ameaçada de outros delitos, como roubo, até que decidiu abandonar o convento. A freira, no entanto, não deixou barata a situação. Ela foi à justiça. O homem que a estuprou foi condenado e preso no ano de 2015.

A irmã agora está processando sua diocese e a igreja católica. O vaticano não comenta o caso. Os superiores da freira dizem que só souberam do caso, após sua renúncia ao convento. Ela nega e diz que até advogados da igreja a intimidaram nesse meio período.