O primeiro ataque bélico americano no governo Donald Trump causou reação imediata da Rússia, que, por meio do seu presidente, Vladimir Putin, condenou a ofensiva dos EUA em direção à Síria na última quinta-feira. Rússia e Síria mantêm uma consolidada parceria histórica, o que de certa forma motiva Putin a considerar os ataques americanos como “agressão contra um estado soberano”.

Na quinta, Trump autorizou o ataque americano por meio de 59 mísseis Tomahawk enviados por navios localizados no Mar Mediterrâneo. A ofensiva serviu como uma espécie de retaliação ao suposto ataque químico promovido pela Síria na última terça-feira, que matou 80 pessoas, dentre elas, segundo Trump, “mulheres, homens e lindas crianças”.

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No comunicado desta sexta-feira, no entanto, a Rússia voltou a negar que o Estado Sírio tenha sido o responsável pelo ataque com armas químicas na terça-feira. Na avaliação do Kremlin, o vazamento de gás ocorreu após ataques aéreos do governo sírio contra bases armadas de rebeldes, em que constava um depósito de armas químicas. Os EUA não concordaram com essa versão.

“O bombardeio promovido pelos #Estados Unidos contra a Síria é uma agressão a um estado soberano, que viola as normas do direito internacional. Há por trás desses ataques uma clara tentativa dos americanos em desviar o foco da comunidade internacional, para que se esconda as inúmeras vítimas da população civil no Iraque”, disse o comunicado do governo russo, em alusão à operação militar liderada pelos Estados Unidos contra os americanos.

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O Kremlin insiste na tese de que o exército sírio, comandado pelo presidente local Bashar al-Assad, não possui nenhum tipo de arma química, o que lhe absolveria dos supostos ataques contra civis na última terça-feira. A Rússia alega que “o exército sírio não dispõe de armas químicas, uma vez que a destruição das mesmas foi supervisionada pela Organização pela Proibição de Armas Químicas”.

Relação estremecida

De forma clara e aberta, o comunicado oficial do governo russo nesta sexta-feira indica um prejuízo incalculável no relacionamento diplomático entre Estados Unidos e Rússia, duas das principais potencias globais - dotadas de poderosos e muito bem armados exércitos. Os russos reiteraram a sua luta contra o terrorismo internacional, e indicaram que essa ofensiva americana só serviu para criar obstáculos para o êxito deste objetivo.

“A ofensiva a partir da decisão de Washington causa um enorme dano nas relações russo-americanas, que já se encontravam em um panorama lamentável. E o mais importante, na consideração do presidente Putin, é que o ataque não contribui na luta contra o terrorismo, pelo contrário, apenas cria mais obstáculos para a formação de uma ampla coalização mundial antiterrorismo”, pontuou o Kremlin.

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O Pentágono, após o ataque, informou que as bases russas locais foram informadas com antecedência da ofensiva e que nenhum russo foi atingido. A ação americana desencadeia uma mudança de atuação na Síria, já que até então os ataques se concentravam apenas contra o grupo terrorista Estado Islâmico. Sem precisar especificamente o número de mortos, o Observatório dos Direitos Humanos da Síria informou que a base militar atacada pelos EUA nesta quinta-feira ficou “quase totalmente destruída”.

Um balanço prévio divulgado por agências internacionais, até o fechamento desta reportagem, falava entre quatro e nove vítimas, sem, no entanto, uma confirmação de modo oficial. Em apoio e defesa ao regime sírio, a Rússia afirmou que vai ampliar seu sistema de defesa antiaéreo do exército sírio. #Russia