Quando você ouve a palavra #Turquia o que lhe vem à mente? Talvez lindas paisagens, lembranças do Império Otomano ou ainda o massacre de milhares e milhares de armênios, gregos, assírios, curdos, entre outros povos, perpetrado a mando das autoridades governamentais turcas ao longo da história humana. A Turquia é um país tão complexo, que sempre figura em algum ponto de discórdia no que diz respeito ao noticiário no âmbito internacional. Em novembro de 2015, desrespeitou as leis internacionais quando a Força Aérea turca abateu um caça SU24 da Rússia que sobrevoava a Síria; é acusada constantemente de comprar petróleo roubado pelo Daesh ou terroristas do Estado Islâmico; exporta a sua crise interna invadindo o espaço aéreo e marítimo da Grécia constantemente, querendo ressuscitar os 400 anos de domínio selvagem, assassino e covarde sobre a República Helênica.

Como se não bastasse tudo isso, o controverso presidente turco Recep Tayyip Erdogan divide as opiniões internas; sendo que é apoiado pela ala muçulmana ultra-conservadora, que o elogia pela proximidade do islamismo e pelo bom momento econômico que atravessa a nação.

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Outras pessoas já classificam Erdogan como um ditador sanguinário e vingativo. Fato é que o presidente citado sagrou-se vencedor de um referendo que objetivava a mudança na Constituição turca, conferindo mais poderes ao próprio Erdogan.

Obviamente que o preço da vitória do novo “sultão do mundo”, como vem sendo chamado Erdogan, teve um preço, a saber, o afastamento, para cada vez mais longe, da Turquia em relação a União Europeia. Exatamente 51,3% dos cidadãos daquele país optaram pelo “sim” aos anseios do presidente, que preferiu trocar o sistema de governo de parlamentar para ser uma república presidencialista. Em outras palavras, há a possibilidade clara de Recep ficar estabelecido no poder até o ano 2029, o que pode ser chamado de um verdadeiro sultanato.

Foi em 2003 que Erdogan se tornou o 1º ministro, ocasião em que liderava o AKP - Partido da Justiça e Desenvolvimento, e a nação passava por uma assustadora crise na economia, com elevados índices de desempregados; no entanto, o novo presidente apostou todas as fichas no mercado interno e fez com que a Turquia se tranformasse em um caso de sucesso do Oriente Médio, caindo nas graças dos muçulmanos que o enxergaram como uma espécie de libertador.

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Todavia, a religiosidade de Erdogan desagradou a classe média, que organizou protestos, como o de 2013, em que muitas pessoas foram contrárias à remodelagem do Parque Gezi e esses mesmos indivíduos foram duramente atacados pela polícia sob ordem direta de Erdogan. Agora o ápice foi o ensaio do golpe militar em julho do ano passado, situação essa que fez com que Recep conclamasse os turcos para que fossem às ruas.

Parece que os bons ventos estão abandonando o sultão turco, ao menos em nível de conseqüências, pois com a tentativa do golpe de Estado, aproximadamente 45 pessoas foram presas, 130 mil perderam os seus cargos públicos, policiais passaram a estuprar literalmente nos presídios e delegacias, oficiais de alta patente do Exército por terem apoiado o golpe, revelando a face perversa de Erdogan.

Além do que, a Turquia amargou o decréscimo expressivo do seu PIB de 2016 se comparado a 2015. Enfim, apesar de Erdogan ter sido o grande campeão no referendo de dias atrás, a sua autoridade parece que começa a ser cada vez mais questionada dentro da própria Turquia, bem como pelo mundo afora.

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A autoridade máxima turca cerceou a liberdade de imprensa, já poderá escolher quem serão os novos representantes do gabinete ministerial e os novos juízes responsáveis pelas mais altas cortes da Turquia.

Resumindo, Erdogan parece querer virar definitivamente as costas para a Europa e dizer que ele e o seu país não precisam mais da #União Europeia.

Turquia, indo para Ancara a partir da fronteira com a Grécia

#Grécia