A Suprema Corte da Rússia declarou as Testemunhas de Jeová uma organização extremista, ordenando a liquidação de seus ativos e proibindo todas as atividades no país, informou a mídia estatal russa nesta quinta-feira (20). A proibição não entrará em vigor até que o apelo do grupo seja ouvido. A decisão confirma uma reivindicação feita pelo Ministério da Justiça da Rússia.

Respondendo à decisão, Yaroslav Sivulskiy, porta-voz das Testemunhas de Jeová na Rússia, confirmou que irão apelar da decisão. "Estamos muito decepcionados por este desenvolvimento e profundamente preocupados com como isso vai afetar nossa atividade religiosa", disse ele.

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"Nós apelaremos desta decisão e nós esperamos que nossos direitos legais e proteções como um grupo religioso pacífico serão restaurados inteiramente o mais cedo possível", acrescentou. O Ministério da Justiça suspendeu no mês passado a sede das Testemunhas de Jeová em São Petersburgo, alegando que suas atividades "violam a lei russa sobre o combate ao extremismo".

Essa alegação foi negada consistentemente pela agência russa da organização norte-americana. As Testemunhas de Jeová não ofereceram uma reação imediata à decisão, mas em uma declaração após a declaração original, ela disse que "o extremismo é profundamente estranho às crenças e moralidade baseadas na Bíblia" dos membros da fé.

O grupo, que tem 395 filiais e abrangem 175 mil membros no país, também alertou sobre o impacto prejudicial no país para a liberdade religiosa.

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"Milhões de crentes em todo o mundo consideram a ação do Ministério de um grande erro", disse o grupo. "Se a reivindicação estiver satisfeita, isso acarretaria consequências catastróficas para a liberdade de #Religião na Rússia", acrescentou.

A decisão da Suprema Corte, que se seguiu a seis dias de audiências, marca a primeira vez que a Rússia proibiu uma organização religiosa organizada, segundo a Comissão dos Estados Unidos para a Liberdade Religiosa Internacional (Uscirf).

Em um comunicado à imprensa, a comissão disse que o movimento ilustrou o medo do Kremlin de qualquer religião independente em um país onde 72% da população se identificam com o cristianismo ortodoxo russo.

"O tratamento das Testemunhas de Jeová reflete a tendência do governo russo de considerar todas as atividades religiosas independentes como uma ameaça ao seu controle e à estabilidade política do país", disse Thomas J. Reese, SJ, presidente da Uscirf. "A Uscirf pede ao governo russo que pare seu assédio contra esse grupo religioso pacífico".

A Rússia aprovou a uma lei sobre o extremismo na sequência dos ataques terroristas de 11 de setembro nos Estados Unidos e da segunda guerra da Rússia na Chechénia em 1999 e 2000. #Russia #TestemunhasdeJeova