O presidente turco Erdogan pode abrir uma nova linha de frente em sua campanha contra o principal parceiro americano contra o ISIS na #síria, as Forças Democráticas da Síria (SDF), nos próximos dias. Ele pretende que Trump aceite a #Turquia e os grupos de oposição apoiados pelos turcos como parceiros terrestres ao SDF na luta contra o ISIS.

O SDF é dominado pelo ramo sírio do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) que realiza insurgência ativa constante contra o Estado Turco. O presidente Erdogan sinalizou que lançará uma operação entre fronteiras para apreender a cidade fronteiriça síria Tel Abyad, ao norte de Raqqa.

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Relatos indicam que os grupos de oposição apoiados pela Turquia podem estar se reunindo para uma ofensiva. Erdogan pode lançar a operação ates de sua próxima reunião em Washington com Trump, em 16 e 17 de maio.

O plano é acabar com o apoio árabe sírio do SDF, que atrapalha a operação em Raqqa planejada pelos #EUA. Tel Abyad é uma cidade de maioria árabe e atualmente sob controle militar pelos curdos sírios. Uma operação na cidade abriria uma fissura entre os árabes e os curdos no norte da síria que poderia ser suficiente para neutralizar o SDF como uma força aliada dos EUA confiável para a operação em Raqqa. A Turquia provavelmente também pretende minar o apoio árabe de governança maior do SDF no nordeste da Síria.

Erdogan ameaçou uma operação em Tel Abyad a algum tempo, porém havia proposto uma abordagem alternativa ao plano dos EUA para a cidade de Raqqa, oferecendo suas tropas e combatentes aliados da oposição para criar um corredor de 12 milhas de Tel Abyad à Raqqa.

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Os EUA não ficaram satisfeitos com a proposta, que visava comprometer apenas 3 mil soldados turcos. Segundo relatos, os turcos afirmaram ser capazes de mobilizar 10 mil homens da força de oposição treinadas pela Turquia, mas esses números não se materializaram.

A rejeição dos EUA não alterou o compromisso de Erdogan em bloquear Raqqa, no entanto advertiu em 3 de abril de 2017 que pretendia lançar ataques surpresa contra o ISIS e os curdos. Os EUA condenaram mas não tomaram medidas em resposta.

Esta nova operação contra Tel Abyad pode demonstrar capacidade de reunir apoio tribal árabe para forçar os EUA a reconsiderar. A Turquia convocou 50 líderes tribais sunitas do leste da Síria na cidade Sanliurfa, ao norte de Tel Abyad, em meados de março para discutir a resistência contra os curdos. Esta nova força militar chamada de Exército do Escudo Oriental formada em 19 de abril foi formada por membros da tribo al-Nai’m, que operam perto de Tel Abyad, além de combatentes rebeldes ligados a Al Qaeda, que operavam no leste da Síria, antes do surgimento do ISIS.

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Esta influencia estende-se por Raqqa e na província de Deir ez Zour, embora o tamanho de sua força de combate permaneça obscuro. O ministro da Defesa turco, Fikrilsik, afirmou no dia 21 de abril que a continuação da cooperação entre os EUA e os curdos na síria ameaçam criar instabilidade a longo prazo entre árabes e curdos.

Esta operação em Tel Abyad marcaria o início de uma segunda fase de intervenção militar turca na Síria. Em 2016 a Turquia iniciou sua intervenção retirando o controle do ISIS de Jarablus, a oeste de Tel Abyad, limpando o restante da fronteira sírio-turca e empurrando os guerrilheiros para o sul, par reconquistar a cidade de al Bab, mantida pelo ISIS. A Turquia teve um sucesso limitado para obter o apoio dos EUA, que deram o apoio intermitente às operações do país contra o ISIS, mas bloquearam o movimento da Turquia para enfraquecer o SDF perto de Bab. A determinação de Erdogan de impedir que o SDF tome Raqqa não diminuiu. Trump felicitou Erdogan por sua vitória no referendo turco no início deste mês, o que pode ter encorajado o presidente turco a iniciar uma nova faze de sua campanha na Síria.

Erdogan retribuiu em 28 de abril afirmando: “Eu acredito que vamos abrir uma nova página com Trump” em uma conferência em Istambul.

As forças de oposição Sírias que a Turquia está usando para apoiar suas operações incluem pessoal ligado ao Al Qaeda, como Ahrar al Sharqiya. A Turquia provavelmente está, também, usando o grupo judaico salafista, aliado a Al Qaeda – Ahar al Sham – que tem demonstrado vontade de participar junto com a Turquia em operações para apreensão de Raqqa. No passado a Turquia utilizou o Ahar al Sham como ligação para sua logística na primeira fase de operações do Escuto do Eufrates no norte de Aleppo.

A forma de governança que a Turquia está colocando pode ser considerada antiética aos objetivos dos EUA, permitindo que grupos como Ahar al Sham implemente o controle social, aprisionando membros do conselho governamental local. Os EUA podem não permitir que estes grupos dominem Raqqa após a queda do ISIS, porque criaria um ambiente permissivo para Al Qaeda em longo prazo.