A Chechênia tomou os noticiários de todo o mundo desde o fim do mês de março, após denúncias de campanhas anti-#LGBT promovidas pelo governo, envolvendo inclusive relatos de um campo de concentração para o qual homossexuais estariam sendo levados e torturados. Mais de cem homens já foram detidos e três deles, assassinados.

De acordo com o ministro das Relações Exteriores do Reino Unido, Alan Duncan, grupos de #Direitos Humanos têm afirmado que essas prisões e assassinatos de homossexuais são orquestrados pelo próprio presidente checheno, Ramzan Kadyrov, e que fontes confirmam a intenção de eliminar todos os gays do país até 26 de maio, quando se inicia o Ramadã.

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No dia 21 de abril, o jornal The New York Times publicou uma matéria com base em entrevista realizada com três jovens que sobreviveram à tortura no campo de concentração, identificados como Maksim, Ilya e Nohcho, e que se encontram refugiados fora do Cáucaso. A homossexualidade é um tabu na região localizada ao sul da Rússia, em que a maior parte da população segue a religião muçulmana.

Os rapazes contam que foram detidos por agentes oficiais após marcarem encontros pela internet em cafés ou apartamentos, deparando-se com uma armação. São então interrogados, espancados e conduzidos a um local onde continuam a ser brutalmente torturados e humilhados. Segundo Maksim, a Chechênia é uma sociedade extremamente homofóbica e gays sempre precisaram se esconder, recorrendo a salas de bate-papo para interagirem.

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Nos encontros, geralmente nem mesmo revelam seus nomes verdadeiros.

Maksim ficou numa cela em um prédio aparentemente abandonado, junto a outros seis homens, por onze dias. Quando liberado, os policiais disseram ao parente que Maksim era gay e que se a família tivesse alguma honra, o mataria. O mesmo foi dito aos parentes de Ilya.

A Human Rights Watch (HRW) russa tem recebido múltiplos relatos de indivíduos que foram mantidos presos desde um único dia a várias semanas. Entre os métodos, estão privação de alimentos e eletrochoques. A diretora da HRW na Rússia, Tanya Lokshina, revela que muitos dos torturados quase não conseguem sobreviver e retornam a seus lares em condições realmente precárias. Das três mortes ocorridas, uma foi diretamente causada pela tortura. As outras duas foram assassinatos cometidos pela própria família, após o parente ser liberado pela polícia, a fim de preservar sua "honra". #Homofobia