Em tempos de pós-verdade e de polarização do debate político, checar a veracidade das informações é obrigação para quem (ainda) se importa com... a verdade. A história já mostrou que, para conhecermos bem os fatos, para sabermos nos posicionar, precisamos filtrar as informações que recebemos todos os dias. É o que fazia a BBC nos anos 1940/1950 e é o que fazem hoje muitos comediantes norte-americanos.

A história

No dia 15/04, foi publicada pela The Guardian uma pesquisa sobre os programas da BBC produzidos durante a Segunda Guerra Mundial a fim de contestar a propaganda nazista. Um dos mais importantes programas, ao menos o mais famoso, foi o “Hitler versus Hitler”.

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Nele, eram mostrados discursos do führer em que ele se contradizia. Além disso, uma moradora de Berlim, dona de casa, apresentava diversos fatos e informações omitidos pelo partido. Com uma linguagem popular, o programa buscava cativar a população, para desvelar as #mentiras propagadas pelo regime.

Se, hoje, felizmente não há uma guerra mundial – ao menos no sentido clássico da expressão – permanece a importância de conhecer a realidade dos fatos. Com um número cada vez maior de sites de #Notícias, mídias sociais, tornaram-se constantes as divulgações de notícias falsas ou “alternativas” (eufemismo que se elegeu para substituir a palavra “falsas”), inclusive por celebridades e políticos.

A atualidade

É o caso de Donald Trump, eleito nos EUA no final do ano passado, cuja campanha baseou-se fundamentalmente em “fake news” (do inglês, notícias falsas), consistente em divulgar informações inverídicas para sustentar suas predileções políticas e angariar novos eleitores que não se preocuparam em checar a veracidade de suas falas.

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Foi o que aconteceu, por exemplo, quando Trump afirmou que Barack Obama havia instalado escutas em sua casa para espionar sua campanha política durante o ano anterior à eleição.No entanto, Trump e seus assessores não apresentaram nenhuma prova. O próprio FBI disse não ter encontrado qualquer evidência.

A "nova BBC": a comédia

Felizmente, há, do outro lado, nos Estados Unidos, um grupo que se incumbiu de cumprir um papel semelhante àquele que a BBC desempenhou na Alemanha nazista – são os comediantes.

Também em abril deste ano, a Vox (organização para explicação de notícias) publicou um vídeo no qual chama a atenção para a importância de comediantes – entre eles, Seth Meyers e Stephen Colbert – para desmentir os discursos de Trump.

Segundo a Vox, o uso da comédia e da linguagem coloquial aproximariam o público do debate político – não à toa, têm se tornado populares quadros ironizando as falas contraditórias do presidente norte-americano.

A tendência revive uma hipótese que deita raízes nos anos de Chaplin: o humor como arma. Uma filosofia esplêndida, sem dúvida. Mas não deixa de ser curioso que, ao cabo, para conhecer a verdade, precisemos cair na gargalhada.