O velho conceito da Aldeia Global, expressão cunhada na década de 1960 pelo filósofo canadense Herbert Marshall McLuhan, cujo significado acentua a diminuição das diferenças culturais, físicas e religiosas entre os povos, a partir da popularização tecnológica, ainda é uma teoria distante da realidade, apesar de vivermos na era virtual.

O filipino Antonio Reloj, por exemplo, que nasceu com uma bizarra doença de pele, ictiose, que a faz ficar escamada como a das cobras ou a dos peixes, até hoje sofre preconceito devido a condição física apresentada.

Morador da distante e isolada província de Aklan (Filipinas), ele diz ser vítima de xingamentos por parte dos vizinhos, que o acusam de ser um demônio, segundo informações do jornal britânico Daily Mirror – veja a manchete.

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À imprensa, Reloj conta o drama vivido em decorrência da inusitada doença, que o acompanha desde os três anos. Salienta ter sido abandonado pela mãe aos 12 anos, quando foi morar com a avó.

Acrescenta também a piora da sua condição, ao ressaltar que, atualmente, a pele está mais áspera e grossa. Diz ainda ter começado a perder a visão, a partir da deterioração da epiderme facial.

Quando era mais novo, época em que conseguia disfarçar a ictiose, o filipino recorda que sentia prazer em frequentar ambientes públicos, como o mercado local e a igreja.

Porém, o cenário atual é outro. Ele confessa passar os dias escondido dentro de casa – uma singela propriedade de madeira -, depois de os vizinhos começarem a acreditar que ele é uma entidade demoníaca – confira as fotos (vídeo final do artigo).

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À procura de tratamento

Conforme o Daily Mirror, depois da emissora nacional documentar o caso de Antonio Reloj, ele foi enviado para análise clínica no hospital de Manila – capital das Filipinas.

Embora não haja cura para a doença, médicos irão diagnosticar a forma específica da ictiose, no intuito de reduzir o avanço da mazela com aplicação adequada de loções hidratantes e medicamentos.

Ele, que passa os dias na companhia de um simplório aparelho de rádio, salienta pretensão em atuar como técnico em elétrica.

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"Eu sonho em estar saudável de novo e ter um emprego, me tornar um eletricista”, declara.

Vizinhos preconceituosos

Jesselyn Rebutar, primo de Reloj, frisa que os habitantes da comunidade, indiferentes à condição médica do familiar, o apelidaram de “criatura, fantasma ou monstro”.

"Eles [moradores] acreditam que ele está amaldiçoado, isso me deixa tão triste, tem um belo sorriso e é um ser humano. Estou emocionado por poder ajudá-lo, vê-lo é entender o que realmente é dor e sofrimento”, avalia Rebutar.

#Doenças #Curiosidades #Medicina