Foram 15 anos, até o dia em que a indiana pode, finalmente se sentir segura novamente. Em 2002, Bilkis Bano, foi vítima de um #Estupro coletivo e assistiu a morte de quatorze membros de sua família. Esse terrível episódio aconteceu durante um motim no oeste da Índia.

O motim de 2002 tiveram início, depois que um incêndio num trem em Godhra matou 60 hindus. O incêndio desencadeou uma onda de protestos, que levaram a ataques e a muita destruição. Hindus culpavam os muçulmanos pelo incêndio.

O ataque sofrido pela indiana e sua família, foi considerada um dos mais terríveis crimes acontecidos durante o motim de 2002. No entanto, somente na última semana, Bilkis Bano venceu a batalha por #Justiça.

Publicidade
Publicidade

O tribunal Superior de Mumbai, confirmou as senteças de seus agressores. Onze homens foram condenados pelo estupro e pelo assassinato de sua família. Além deles, cinco policias e dois médicos também foram condenados por destruir provas a respeito dos crimes acontecidos.

Em entrevista à BBC, Bilkis disse que achava que tinha, finalmente, recebido justiça. "Estou feliz", disse ela.

Como aconteceu o crime

Em meio a lágrimas, Bilki se lembra e relata o que aconteceu naquele terrível dia, quinze anos há atrás. Na época, tinha apenas 19 anos, e estava visitando a casa de seus pais, no vilarejo de Randhikpur. Ela conta que era mãe de uma menina de 3 anos e estava grávida do segundo filho.

Bilkir, lembra que estava fazendo o almoço, quando sua tia entrou dizendo que as casas estavam sendo atacadas e incendiadas e que todos tinham que sair naquele momento.

Publicidade

O desespero foi tão grande que todos fugiram apenas com as roupas do corpo.

Todos os mulçumanos do vilarejo fugiram buscando se proteger dos ataques que estavam acontecendo. Durante a fuga, ela conta que estava com 16 pessoas, incluindo sua filha de 3 anos, sua mãe, a prima grávida, irmãos, sobrinhos e dois homens adultos. Tentaram, inicialmente, abrigo com o chefe do conselho do vilarejo, que era um hindu, mas tiveram que abondonar o local, quando ele foi ameaçado de morte se abrigasse os muçulmanos. No dia 03 de março, quando se dirigiam para outro vilarejo, um grupo de homens, que estavam em dois jipes interromperam a fuga.

O dado mais impressionante, é que se tratavam de conhecidos, todos os agressoresm eram homens com quem ela havia convivido desde a infância.

"Eles nos atacaram com espadas. Um deles tirou minha filha do meu colo e a jogou no chão, batendo a cabeça dela em uma pedra" diz Bilkis.

Mesmo estando grávida de 5 meses, teve suas roupas rasgadas e foi estuprada por vários homens.

Publicidade

A prima que havia dado à luz uma menina dois dias antes do ataque, também foi estuprada e assassinada, junto com sua filha recém-nascida.

Apenas Bilkis e mais dois meninos, de 7 e 4 anos, sobreviveram aquele massacre. Ela conta, que só escapou com vida, pois desmaiou e os agressores acharam que ela havia morrido também. Quando acordou, em meio aos corpos de seus famíliares, ela cobriu seu corpo com uma saia e se escondeu em uma caverna.

Após avistar uma viatura policial, foi encaminhada para uma delegacia onde pode registrar o acontecido, depois disso, foi levada a um acampamento montado em Godhra onde seu marido a encontrou.

Felizmente a criança que Bilkis esperava na ocasião nasceu meses depois. #mulheres