De acordo com as agências Reuters e Associated Press, nesta segunda-feira (15) um oficial do Departamento de Estado dos EUA declarou que Washington possui evidências consistentes de que o governo de Bashar al-Assad – atual presidente da Síria – construiu um crematório no grande complexo prisional de Saydnaya (também grafado como Sednaya), localizado ao norte de Damasco, a capital do país.

A informação foi tornada pública por Stuart Jones, secretário-adjunto de Estado para Assuntos do Oriente Médio. O integrante da alta cúpula do governo americano afirmou que autoridades dos Estados Unidos acreditam que o referido crematório da prisão militar esteja sendo usado pelo regime de Assad para a ocultação de provas de assassinatos em massa de milhares de presos políticos, detidos ao longo dos seis anos de duração da guerra civil que assola a Síria.

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Acusações

Durante um briefing, Jones acusou o governo sírio de "afundar em um novo nível de depravação", e declarou a repórteres: "Fontes confiáveis acreditam que muitos dos corpos foram dispostos em valas comuns".

Além disso, o secretário-adjunto mostrou imagens aéreas do que seria o prédio pertencente ao complexo prisional usado para incinerar os restos mortais dos presos. As fotografias – tiradas a partir de 2013 – cobrem vários anos, e apesar de não provarem sem sombra de dúvidas que a construção é mesmo um crematório, revelam que a arquitetura do edifício é consistente com tal função.

Adicionalmente, Stuart Jones criticou o Irã e a Rússia por manterem seu apoio a Bashar al-Assad, mesmo após o governo daquele país ter sido acusado de levar a cabo execuções extrajudiciais, tomar medidas que atingem tanto os civis quanto os oponentes do regime e de realizar ataques aéreos e químicos contra seus próprios cidadãos.

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Milhares de mortos

Segundo a Reuters, em fevereiro deste ano a Anistia Internacional informou que até 50 pessoas estavam sendo enforcadas por dia em Saydnaya – número que, de acordo com a Associated Press, o Departamento de Estado americano corrobora, e afirma que ainda se mantém atualmente.

Se todas essas execuções diárias forem somadas, estima-se que nos últimos quatro anos entre cinco mil e treze mil pessoas tenham sido mortas dentro do complexo prisional. O Observatório Sírio para os Direitos Humanos ratificou os relatos dos Estados Unidos sobre os assassinatos em massa, mas declarou que não possuía informações suficientes a respeito do crematório existente na prisão militar. #EUA #Conflito na Síria