O atual presidente da República Islâmica do Irã, Hassan Rouhani, venceu com facilidade as #Eleições presidenciais, realizadas nesta sexta-feira (19). Rouhani obteve 57% dos votos, contra 38,8% de seu rival conservador, Ebrahim Raisi. Mas, o que esse resultado significa dentro do jogo político iraniano?

O Irã possui um sistema político bastante complexo e seu processo de estruturação, que se iniciou em 1979, testemunhou o surgimento de diferentes facções que lutam pela conquista do poder em Teerã.

Diferentes grupos na luta pelo poder

Após a Revolução Islâmica de 1979, a população iraniana escolheu sua nova forma de governo em um referendo, realizado em março do mesmo ano.

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A opção por uma república islâmica - endossada pelo líder da revolução, Aiatolá Ruhollah Khomeini - venceu, com 99.31% dos votos. Basicamente, essa república islâmica possuiria órgãos legislativos e chefes de governo, que seriam eleitos por voto popular, e um chefe de Estado não eleito, que também funcionaria como poder moderador, na figura do Líder Supremo. Este poder estaria nas mãos dos clérigos xiitas.

Entretanto, nos anos que se seguiram à Revolução Islâmica, o grupo mais conservador da política iraniana, liderado pelo Aiatolá Khomeini, deu início a uma campanha para eliminar as forças mais moderadas na política nacional. Grupos como socialistas, liberais, comunistas e social-democratas foram presos, torturados e exilados pelo governo iraniano. Essa política de repressão causou um sério desgaste para os conservadores, em termos de apoio popular, principalmente após a morte do Aiatolá Khomeini, em 1989.

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Mesmo assim, os conservadores conseguiram derrubar o seu designado sucessor, o moderado Aiatolá Montazeri, e indicaram o Aiatolá Khamenei para a sucessão de Khomeini.

Nas eleições presidenciais de 1997, o grupo moderado havia ganhado força e seu candidato, Mohammad Khatami, foi eleito como novo presidente do país. Seu governo foi caracterizado pela conquista de novas liberdades individuais, maior respeito aos direitos humanos e pela melhora das relações internacionais com o Ocidente. Entretanto, sua política não agradava uma parcela dos moderados, que queriam que suas reformas fossem mais profundas. O resultado foi uma grande cisão no movimento moderado, fazendo com que este se enfraquecesse.

Nas eleições presidenciais de 2005, os conservadores voltaram ao poder, com a vitória de Mahmoud Ahmadinejad. Seu governo se caracterizou pela deterioração das relações exteriores do país, pela ênfase no programa nuclear iraniano e pela repressão contra dissidentes. Esta última, bem evidenciada após a violenta repressão que se seguiu após as manifestações que contestavam o resultado das eleições presidenciais de 2009, quando Ahmadinejad foi reeleito.

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Tais políticas mancharam a imagem do Irã no cenário internacional e reforçaram as sanções impostas pelo Ocidente, agravando a situação econômica do país.

Fortalecimento do poder moderado

Estes fatores fizeram com que os moderados voltassem ao poder em 2013, com a eleição de Hassan Rouhani, aliado político do ex-presidente Khatami. Rouhani, mudou imediatamente os cursos da política iraniana, encorajando maior liberdade de imprensa, trabalhando pelos direitos das mulheres e libertando prisioneiros políticos.

Um dos maiores feitos do presidente Rouhani, em seu primeiro mandato, foi a realização do acordo nuclear entre o Irã e as potências ocidentais. Neste acordo, o Irã irá aplicar algumas restrições ao seu programa nuclear, em troca da eliminação das sanções econômicas impostas pelo Ocidente.

Entretanto, este acordo pode estar em perigo, devido às ameaças do atual presidente estadunidense, Donald Trump, que no momento se encontra na Arábia Saudita, rival regional do Irã. Trump ameaça acabar com o acordo, devido a pressões dos setores conservadores dentro da política norte-americana, sua principal base de apoio.

Mesmo assim, é bastante claro que Rouhani possui apoio de importantes países no cenário internacional, como União Europeia, Rússia e China. Sua posição moderada é um peso muito forte em termos de política externa, pois é muito mais fácil trabalhar com políticos mais flexíveis do que com conservadores.

Porém, mais do que isso, sua vitória representa o desejo do povo iraniano de mudar a sua política, sem abandonar suas características. A Revolução Islâmica de 1979 foi um marco extremamente importante na história do Irã e o que o povo iraniano quer é aperfeiçoar sua revolução, conquistando maior liberdade, fortalecendo suas instituições democráticas. #2017 #Irã