O ataque de Manchester, na Inglaterra, despertou novamente o alerta de atentados terroristas. Um homem detonou uma bomba do lado de fora de um local com milhares de pessoas que participavam do concerto de Ariana Grande, matando pelo menos 22 pessoas. Horas depois, o #Estado Islâmico assumiu a autoria do ataque.

Com este contínuo fluxo de atentados associados ao #ISIS, chamou muita atenção para o fenômeno dos Lobos Solitários, que em Orlando com a morte de 49 pessoas, e em Paris com o assassinato de um policia, tal qual o ataque no mercado em Berlim, tem deixado o mundo em alerta.

Esta questão dos Lobos Solitários é um problema central de segurança central para as sociedades ocidentais.

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Eles acabam sendo engajados com uma forte campanha em que vídeos de recrutamento e apelos pelas redes sociais, fazem com que grupos terroristas, sirvam de inspiração para àqueles que acabam agindo por conta própria, sem comunicação direta com a liderança dos grupos.

O ISIS não desencadeou o #Terrorismo de lobo solitário, porém sua manipulação por meio de tecnologias de comunicação modernas anuncia o fim desta modalidade de terrorismo, através da revolução no recrutamento, radicalização e mobilização de terroristas na era digital.

Esta questão também trabalha o fator psicossocial do indivíduo, em que determinados indivíduos são suscetíveis a esta mensagem, fazendo com que ao tomar parte de um ataque, façam parte de um grupo, ou algo maior como parte da história – qualquer coisa, porém sozinhos.

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Charlie Winter, pesquisador sênior do ICSR, identifica seis narrativas importantes usadas pelo ISIS: brutalidade, misericórdia, vitimização, guerra, perseverança e utopia, enfatizando que a perseverança “é um dos mais poderosos atrativos para os novos recrutas, particularmente aqueles de estados ocidentais. Através de sua publicação regular, por exemplo, de vídeos e relatórios fotográficos que mostram istirāḥat al-mujāhidīn – lutadores relaxando com chá e cantando uns com os outros – os propagandistas enfatizam a ideia de fraternidade no califado”.

O ISIS oferece, assim, uma oportunidade para os que se sentem sozinhos, podendo simplesmente discordar da política ou costumes da sociedade que os rodeia, de não serem atores solitários. Conforme relatado para o Vocativ, existe um canal pró-ISIS dedicado aos “lone wolves”, no qual divulgam-se ‘manuais’ para terroristas solitários, naturalmente comunicando-se com companheiros e compartilhando informações, manuais de fabricação de armas caseiras, construindo uma comunidade virtual de centenas ou milhares de simpatizantes e recrutas.

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Esta formação de uma comunidade vai além da habilitação de parcelas específicas, porque alguns supostos solitários realmente receberam direção específica através de mensagens criptografadas, mas os que não receberam, agora fazem parte de uma comunidade, não se considerando mais sozinhos.

Claro que o grupo precisa que seus recrutas tenham mais do que sentimento de unidade, buscando maneiras específicas que avancem sua agenda estratégica, portanto, ocorre uma direção de um grupo, que os guia taticamente de forma particular a seus alvos, consistentemente com a direção estratégica do grupo, mas não sendo especificamente concebidas ou planejadas pela liderança do grupo.

Esta liderança como se mostra é um espectro, não uma dicotomia. A capacidade de seduzir alguém como Salman Abedi, responsável pelo ataque em Manchester - que pode ter deslocado de uma cultura ocidental por uma série de razões psicológicas e sociais - para sentir-se não sozinho é mais do que um fenômeno sociológico. Isso torna essa capacidade uma ameaça muito real e palpável.

Reconhecer que o ISIS representa uma ameaça real, persistente e distintiva não significa que o ritmo dos ataques representa condição nova ou duradoura. Outros grupos terroristas, inclusive filiados ao Al Qaeda no Iêmen e na Síria, começaram a alcançar os que se sentem deslocados, oferecendo sentimento de comunidade e fornecendo inspiração para provocar choque, cumprindo seus propósitos estratégicos. As modernas tecnologias de comunicação mostram que o desafio é crítico, não só para enfrentar a ameaça que o ISIS é hoje, mas também antecipar e mitigar a ameaça de grupos futuramente.

Este é um desafio compartilhado por governos encarregados de manter sua população a salvo, bem como de fiscalizar as empresas que fornecem essa tecnologia, entendendo os fins em que estão sendo exploradas.

Sob esta nova tática de recrutamento, o antigo modus operandi dos grupos terroristas em recrutar lobos solitários está se adaptando aos comportamentos virtuais e sociais de seus seguidores, de forma que o autor do atentado seja reconhecido e tenha uma direção, com maior precisão de seus alvos e com um sentimento de comunidade, em que não o faz estar sozinho de fato no ataque.