A âncora da agência de notícias estadunidense Democracy Now!, Amy Goodman, entrevistou o renomado linguista e pensador, Noam Chomsky. A conversa foi no final de abril, mas divulgada nesta segunda-feira (29), e tratou sobre diversos temas candentes da atualidade, como mudança climática, armas nucleares, Coreia do Norte, Síria, WikiLeaks e o governo Trump.

A conversa foi pública, na Primeira Igreja Paroquial em Cambridge, em Massachusetts, contou com a presença de centenas de pessoas. Dada a riqueza do conteúdo, a entrevista será reportada em três matérias. Nesta focamos nas questões do clima, uma preocupação que tem mobilizado também o Papa Francisco, que escreveu a Encíclica Laudato Si, na qual convida todos (cristãos ou não) a defenderem o planeta (Casa Comum).

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Em março, Chomsky lançou o seu novo livro: Réquiem para o sonho americano: os 10 princípios de concentração do poder e da riqueza (Requiem for the American Dream: The 10 Principles of Concentration of Wealth & Power), por Peter Hutchison (Editor).

São os princípios: reduzir a democracia, moldar a ideologia, redesenhar a economia, deslocar o fardo de sustentar a sociedade para os pobres e classe média, atacar a solidariedade, controlar os reguladores, controlar as eleições, manter a ralé na linha, fabricar consensos e criar consumidores e marginalizar a população.

Logo na primeira pergunta, na qual a jornalista solicita a confirmação de uma afirmativa dele sobre achar o Partido Republicano, a organização mais perigosa da história mundial, Chomsky apresenta uma análise corajosa e aprofundada sobre a conjuntura internacional, muito hegemonizada pelos Estados Unidos (#EUA).

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Ele confirmou sua afirmativa e lembrou que a considerou extremamente ultrajante. E acrescentou uma segunda ponderação para confirmar sua análise sobre o Partido Republicano: "Quer dizer, alguma vez houve uma organização na história humana dedicada, com tal compromisso, à destruição da vida humana organizada na Terra? Não, que eu saiba".

O pensador convidou o público a analisar a última eleição primária. Disse que esta teve mais publicidade que conteúdo, em especial porque os candidatos se negaram a falar sobre mudança climática.

Por exemplo, o linguista lembrou o que Jeb Bush, ex-governador do estado da Flórida e irmão do ex-presidente George Bush, disse sobre a catástrofe ambiental que o mundo assiste: "Talvez isso esteja acontecendo, nós realmente não sabemos".

Em que planeta eles vivem?

Chomsky deu a dica para tanta “ignorância". Ou seja, a exploração dos combustíveis fósseis via a absurda tecnologia de fracking (que extrai gás de xisto), altamente poluidora da água potável, segue firme nos EUA.

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Outra dica foi dada por uma pessoa presente à entrevista, a de que o governador do estado de Ohio, John Kasich, não se importa com o uso da técnica de fracionar o solo por meio do uso de explosões, para extrair gás de xisto, pois em Ohio se utiliza o carvão como fonte de energia. Esta fonte também é altamente poluidora (lança CO2 - dióxido de carbono - na atmosfera), há que se sublinhar.

Na verdade, eles [Republicanos, empresários, et caterva] não se importam em discutir (e aplicar) políticas para conter as catástrofes cometidas contra o clima na Terra, pois temem ver seus lucros reduzidos.

Chomsky lembrou que os EUA (ou a organização republicana) ignoraram a Conferência Internacional sobre Clima, realizada em Paris, em dezembro de 2015. "O Congresso republicano não aceitou compromissos, portanto, o mundo ficou com promessas verbais, mas sem compromissos", disse o professor do MIT (Massachusetts Institute of Technology).

O escritor disse que a Organização Meteorológica Mundial emitiu, em 8 de novembro de 2015, uma análise terrível das condições do #Meio Ambiente e das perspectivas prováveis, na qual aponta que "estamos chegando perigosamente perto do ponto de inflexão". Essa questão foi tratada no encontro de Paris, com objetivo de conter e trabalhar para minorar tal situação. Mas, vieram as eleições dos EUA, a eleição de Donald #Trump, e a situação está um tanto parada.

O linguista foi contendente na crítica: "E o país mais poderoso da história humana, o mais rico, o mais poderoso, o mais influente, o líder do mundo livre, decidiu não só não apoiar os esforços, mas ativamente miná-los".

Mostrou, ainda, que enquanto diversos países, como a Dinamarca, tentam encontrar soluções para os problemas climáticos, os EUA estão se isolando, sob a liderança do Partido Republicano, ou a "organização mais perigosa da história humana", no dizer de Noam Chomsky.