A guerra na #síria já dura mais de seis anos e, com o passar do tempo, o conflito deixou de ser apenas uma guerra civil e passou a atrair as potências globais e regionais para o campo de batalha. A posição dos #Estados Unidos em relação ao conflito sempre foi clara: o presidente sírio Bashar al-Assad perdeu sua legitimidade ao reprimir violentamente os protestos de 2011 e deve deixar o poder em favor de um novo regime democrático. Desta forma, os EUA auxiliam os rebeldes sírios tanto política quanto militarmente desde o início da guerra.

Entretanto, esta estratégia resultou em sérios problemas para os EUA. Durante o desenrolar do conflito, grupos terroristas islâmicos foram se fortalecendo pela Síria, principalmente, nos territórios controlados pelos rebeldes.

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Como a oposição ao presidente Bashar al-Assad era majoritariamente constituída de sunitas partidários da Irmandade Muçulmana na Síria, muitos rebeldes, considerados "moderados" pelo Ocidente, se juntaram às fileiras da Frente Al-Nusra (Al-Qaeda na Síria) e do Estado Islâmico. Este fato enfraqueceu a ideia de "oposição moderada" e o governo estadunidense se viu nas mesmas trincheiras da Al-Qaeda. Esta não seria a primeira vez que os EUA utilizam militantes islâmicos como um instrumento de sua política externa, porém, o governo estadunidense procurou se distanciar de mais um desgaste em sua imagem, principalmente após os fracassos das operações no Iraque em 2003 e na Líbia em 2001.

Mudança de estratégia

Como forma de manter sua influencia na Síria no cenário pós guerra e evitar estar do mesmo lado de elementos radicais islâmicos, os Estados Unidos iniciaram uma forte cooperação militar com as forças curdas que lutam contra o Estado Islâmico no norte do país árabe.

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Esta cooperação se fortaleceu ainda mais após a Rússia iniciar sua participação no conflito em 2015 a pedido do governo sírio.

Esta mudança de tática seria ideal, principalmente pelo fato dos curdos possuírem uma ampla experiência em técnicas de guerrilhas e um longo histórico de perseguição por parte de seus vizinhos, reforçando o caráter "humanitário" da operação estadunidense. Entretanto, esta mudança de estratégia esbarra em um aliado estratégico dos EUA na região e um membro da OTAN, a #Turquia. Durante muito tempo, a Turquia resiste em conceder maior autonomia aos curdos que habitam o sul do país e, frequentemente, o governo turco pratica atos de repressão violenta contra curdos que exigem maior participação política.

Saia justa

Outro problema, é o apoio político e militar que Ancara fornece aos rebeldes islamitas. Como muitos destes rebeldes se constituem de sunitas turcófonos, a Turquia os vê como uma peça importante para garantir os interesses turcos na Síria pós conflito.

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O apoio estadunidense aos curdos sírios já resultou entre diversos atritos entre Ancara e Washington e o governo do presidente turco Recep Tayyip Erdogan já mostrou sua resistência em abandonar seu projeto de expandir a influência da Turquia na região.

As relações entre a Turquia e a União Europeia atravessam um momento extremamente crítico e este fator apresenta mais uma dificuldade para Washington. O governo estadunidense não pode se dar ao luxo de comprometer as relações com um aliado como a Turquia. Sua grande capacidade militar e enorme influência no Oriente Médio e na Ásia Central o torna uma peça fundamental para os EUA. Mesmo assim, é pouco provável que o governo de Donald Trump irá diminuir a presença militar estadunidense na Síria em conjunto com as forças curdas, Washington terá de encontrar outro meio para satisfazer os objetivos políticos dos turcos.