Após a assinatura do memorando para criação de zonas seguras na Síria, a Rússia disse estar pronta para enviar forças de paz ao país, ganhando o apoio da Turquia e do Irã em um plano de cessar-fogo na região.

Os três países assinaram o memorando após dois dias de convenção no Cazaquistão que também está incluído no projeto entre os grupos rebeldes e o governo pró-regime.

Segundo o repórter Alexander Lavrentiev, do Kremlin, “a Rússia está pronta para enviar seus observadores”, reforçando as áreas de segurança estipuladas no memorando. “Acreditamos que a Crise na #síria só pode ser resolvida através de métodos políticos”, disse Lavrentiev aos repórteres do Cazaquistão.

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Putin disse que tem o apoio do presidente Donald Trump para a criação dessas zonas, incluindo a proibição de bombardeios na região, mas o porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Heather Nauert, disse que os EUA têm preocupações sobre este acordo, incluindo o “envolvimento do Irã como mediador e fiador”. Também enfatizou que a Rússia deveria se esforçar mais para acabar com a violência.

O presidente russo informou que os bombardeios podem ser suspensos enquanto não houver atividade militar dentro destas zonas.

Nauert enfatiza que o Irã contribuiu para a crescente violência na Síria e o apoio do país ao regime de Assad aumentou o ataque a civis. Também acrescentou que espera-se que o regime de Assad pare com seus ataques a civis e forças de oposição, algo que nunca foi feito, e que a Rússia garanta o cumprimento do acordo.

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Esta iniciativa estabeleceu quatro zonas militarmente asseguradas por forças estrangeiras, possivelmente russas, na província de Idlib, na província de Holms, no subúrbio de Ghouta e, na capital, Damasco.

O ministro das Relações Exteriores da Turquia, Mevlut Cavusoglu, disse que 37.500 pessoas foram evacuadas de Aleppo, dando créditos a Rússia por essa retirada.

Cavusoglu disse que há possibilidade de estabelecer um cessar-fogo em todo o território da Síria, acrescentando que o grupo do Estado islâmico e filial da Al-Qaeda na Síria, a Fatah al-Sham Front, seria excluído do acordo.

Estima-se levar um mês para que os mapas das zonas propostas fique pronto, segundo o vice-ministro iraniano das Relações Exteriores, Hossein Jaberi Ansari. O enviado da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, que também participou das reuniões em Astana, descreveu o acordo como um “passo na direção certa”.

Sergei Fokin, um analista militar de Moscou, disse que a reunião trilateral marcou um passo importante para a resolução do conflito.

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"A Rússia, o Irã e a Turquia terão claramente um papel dominante, enquanto a influência de outros países, principalmente a Arábia Saudita, diminuirá", disse ele, de acordo com a agência de notícias Interfax.

O sucesso deste acordo pode levar à retirada das forças apoiadas pelo Irã na Síria, segundo Larentiev, em sinal de esforço para conquistar os rebeldes que exigem um “cronograma claro para a retirada destas milícias estrangeiras” do território.

Os três ministros cuidadosamente apontaram suas diferenças na reunião. Lavrov salientou a necessidade de todas as partes deixar de patrocinar "terroristas", enquanto Cavusoglu disse que a política também deve se aplicar ao Hezbollah, um aliado próximo de Teerã e Damasco.

Por conta do envolvimento do Irã, a oposição se torna cética quanto ao projeto, exigindo que as forças de paz ONU estejam presentes nestas áreas de exclusão.

Durante a reunião, os representante dos rebeldes se retiraram do evento por não concordarem que o Irã seja um dos países envolvidos no acordo. #Russia #Irã