O sudeste da Europa está entrando em uma nova crise e Moscou está fomentando conflitos em um momento perigoso, segundo John Schindler, especialista em segurança e ex-analista da Agência de Segurança Nacional e oficial de contraespionagem, em seu artigo intitulado “We needo to Putin-proof the Balkans”.

A aprovação oficial do Parlamento de #montenegro referente ao convite do país para se juntar à OTAN foi, sem dúvida, um retrocesso para os russos, escreveu Schindler.

Putin pressionou duramente na tentativa de manter Montenegro fora da Aliança, aplicando toda a gama de manobras políticas, incluindo espionagem, propaganda e subversão.

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Enquanto isso, Montenegro traz sua posição geoestratégica importante à OTAN, que vai controlar todo o litoral do Mar Adriático, o que tem implicações reais para a segurança do Mediterrâneo e do Sul da Europa. O principal porto do país é Kotor, uma instalação de reparação marítima protegida por muito tempo que é cobiçado pelos russos, se tornando um ponto positivo definitivo para a Aliança.

Acima de tudo, ao aderir a OTAN, o valor estratégico de Montenegro é negado à Rússia, deixando a Sérvia, que se uniu com Montenegro após o fim da Iugoslávia, sem litoral e dividida politicamente entre o oriente e o ocidente.

Uma estratégia que Moscou pode efetuar, bloqueando a união oficial entre Montenegro e OTAN, é fomentar grupos pró-Rússia, fomentando o caos na região, que iria muito além de Montenegro.

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Parte do território do país permanece com alto índice de criminalidade, corrupção e paralisia política, e os países balcânicos permanecem incapazes de encontrar soluções para seus problemas. Seria um retorno ao caos generalizado no Sudeste da Europa.

A Macedônia, o único país a escapar da Iugoslávia nos anos 90 sem violência, é amargamente dividida entre sua maioria eslava e a minoria albanesa. Muitos são descontentes com o status quo pós-Iugoslávia, retrato disso foi uma insurgência albanesa armada em 2001, no noroeste do país que quase se tornou um conflito étnico. Somente uma forte pressão da OTAN e dos EUA evitou a guerra. Neste escalado em 2001, os albaneses receberam concessões políticas importantes, incluindo participação garantida em qualquer futuro governo na Macedônia.

Tudo isso melhorou as relações entre albaneses e eslavos, sem mencionar outros problemas como a pobreza, corrupção, crime organizado, além do legado político dos antigos regimes comunistas e sua polícia secreta.

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Esta brecha explodiu na capital Escópia na semana passada, como uma briga no parlamento resultando em inúmeros feridos. Esta paralisia política em Escópia pode estar a beira de um conflito local.

O Kremlin tem previsivelmente descrito o caos como um complô ocidental contra os eslavos ortodoxos. Existe um perigo real de que a #Macedônia possa ser desencantada se esta crise não for atingida. Não levaria muito tempo para que os russos no país transformassem a Escópia em uma zona de guerra, podendo o Kremlin desejar uma distração desagradável para a OTAN e a UE no Sudeste da Europa, e a Macedônia ficaria profundamente dividida.

É importante ressaltar que a Macedônia entrando em colapso na guerra étnica seria o cenário de longa data de pesadelo da região. Qualquer violência sustentada entre eslavos e albaneses pode arrastar-se rapidamente em estados vizinhos como Albânia e Sérvia. Se isso acontecer, a Bulgária e a Grécia – ambos membros da OTAN e que tem interesse especial na Macedônia – podem não segurar seus conflitos internos. As disputas étnicas no país dos Bálcãs podiam se transformar em uma guerra regional com facilidade.

Por conseguinte, é do interesse do ocidente apagar as crises que se agravam nos Bálcãs, sobretudo na Macedônia, antes que saiam do controle. Isso exigirá manter a malversação russa na região a um nível tolerável, porém exigindo a OTAN e a UE que confrontem a realidade de que as soluções que eles impuseram na ex-Iugoslávia nos anos 90, que de fato constituem uma grande parte dos problemas que colocam a região em perigo, não estão mais funcionando. #Russia