Na manhã desta sexta-feira (19), a promotora sueca Marianne Ny, responsável por investigar as acusações de abuso sexual contra o fundador do #WikiLeaks, Julian #Assange, afirmou que o governo local decidiu arquivar o caso, depois de mais de sete anos de trabalho.

De acordo com Ny, o país já se utilizou de todas as possibilidades investigativas e, em cumprimento às leis locais, arquivou o caso. Ela afirmou ainda que caso Assange retorne ao país até 2020, prazo em que prescrevem os possíveis crimes, o caso contra ele poderá ser reaberto.

O governo do Reino Unido lembrou que, caso deixe o prédio da embaixada equatoriana, Assange ainda corre risco de prisão por ter violado as condições de sua condicional em 2012.

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À época, Assange já respondia legalmente pelas acusações de estupro feitas por duas voluntárias do WikiLeaks, mas não retornou ao local indicado pela polícia para passar a noite e refugiou-se na Embaixada do Equador.

Assange, que teme ser extraditado para os Estados Unidos como consequência do seu trabalho investigativo, vive refugiado no prédio da Embaixada do Equador em Londres desde 2012.

Entenda o caso

Assange, que é australiano, estava na Suécia em agosto de 2010 para palestrar em uma conferência, quando conheceu duas mulheres e, em dias distintos, manteve relações sexuais com elas. Pouco tempo depois, as mulheres, que prestavam serviços voluntários à organização, apresentaram queixas de estupro e abuso contra ele. Em outubro do mesmo ano, a Interpol lançou um pedido para sua prisão.

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Assange se entregou uma semana seguinte e foi liberado após apoiadores do seu trabalho pagarem pouco mais de o equivalente a R$ 1 milhão como garantia à Justiça.

Assange crê em perseguição política

Fundada em 2006 na Islândia, a WikiLeaks é uma organização sem fins lucrativos que publica, de forma anônima, informação confidencial e documentos governamentais ou de empresas, e já possui um banco de dados com mais de dez milhões de documentos. Assange é o fundador, editor chefe e diretor da organização.

O governo dos Estados Unidos é um dos críticos mais ferrenhos ao trabalho do site. Em abril deste ano, o Procurador-Geral da República do país, Jeff Sessions, afirmou que a prisão de Assange era uma prioridade.

Mike Pompeo, diretor da CIA (agência investigativa dos Estados Unidos), criticou o vazamento de documentos e descreveu o trabalho de Assange como uma ameaça à segurança do país.

O diretor WikiLeaks, que rejeita veementemente as acusações de estupro feitas contra ele, acredita que sofre perseguição política como consequência do seu trabalho. Juan Branco, um dos advogados de Assange, afirma que seu cliente é, hoje, o "único prisioneiro político da Europa Ocidental". Ele afirmou ainda que buscará auxílio do novo presidente da França, Emmanuel Macron, para conseguir asilo político no país. #JulianAssange