De acordo com os sites Nature, Science Alert e Mail Online, um supervulcão localizado na Itália tem acumulado pressão há mais de seis décadas e pode estar pronto para entrar em erupção mais uma vez, com potencial para afetar a vida de centenas de milhares de pessoas.

Campi Flagrei, que em italiano significa "campos em chamas", encontra-se a oeste de Nápoles, e abrange uma área de cerca de 100 quilômetros quadrados. Na verdade, este pode ser chamado de um conjunto de vulcões, pois possui ao todo 24 crateras e estruturas conhecidas como “edifícios vulcânicos” – que se parecem com montanhas –, algumas das quais estão escondidas sob o Mar Mediterrâneo, e em seu centro, existe uma enorme caldeira (depressão) de 12 quilômetros de largura que abriga lava no subsolo.

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Histórico sombrio

O supervulcão entrou em erupção pela última vez no ano de 1538, expelindo lava e cinzas durante oito dias seguidos. A quantidade de material ejetada foi tamanha que literalmente criou uma nova montanha no local, e no entanto, esta foi uma explosão considerada “pequena”.

A erupção mais destrutiva – e a maior conhecida de toda a história da #Europa – aconteceu há 200 mil anos, quando Campi Flegrei se formou. Segundo cientistas, quase 3,7 trilhões de litros de rocha derretida saíram do vulcão naquele evento, e acredita-se que o fato possa até ter causado a extinção dos Neandertais (espécie humana), pois devido à quantidade de enxofre e cinzas que foi lançada na atmosfera, o planeta passou por um "inverno vulcânico", com as temperaturas globais despencando devido ao obscurecimento da luz do sol que chegava à superfície da Terra.

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Explodindo novamente

O Science Altert afirmou que duas equipes de pesquisadores (sendo uma da University College London, do Reino Unido, e a outra do instituto italiano Osservatorio Vesuviano) uniram forças para investigar a atividade de Campi Flegrei e descobriram que o magma, que está a três quilômetros de profundidade abaixo da superfície da caldeira, vem se agitando há 67 anos – o que gera acúmulo de energia.

Nas décadas de 1950, 1970 e 1980, a agitação da rocha derretida no subsolo gerou pequenos terremotos, e este padrão também foi constatado antes da erupção de 1538. Os cientistas achavam que estes períodos ativos podiam levar a uma perda de pressão – necessária para que uma explosão ocorra –, mas na verdade o que está acontecendo é justamente o contrário.

De acordo com Christopher Kilburn, da University College London, o estudo de como o solo está se rachando e se movendo em Campi Flegrei revelou que o vulcão está se aproximando de um "estágio crítico" onde a agitação interna está aumentando a possibilidade de uma erupção, que se ocorrer, poderá afetar tanto os 360 mil habitantes locais quanto os residentes de Nápoles (cerca de um milhão de pessoas), além de prejudicar os voos na região por causa das cinzas ejetadas.

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Em face do perigo representado, Kilburn afirma que “é imperativo que as autoridades estejam preparadas”.

Entretanto, não é possível dizer se o próximo evento em Campi Flegrei será uma super explosão e nem quando ocorrerá precisamente, pois tudo depende de como o magma continuará se comportar abaixo da caldeira. #Natureza