Eva Analía de Jesús, mais conhecida como Higui, de 43 anos, foi presa em outubro de 2016, depois de matar um dos indivíduos que tentou estuprá-la, Cristian Rubén Espósito, no bairro Barrufaldi, em Buenos Aires. Um dos agressores disse que iria fazê-la "se sentir mulher", chamando-a ainda de lésbica estúpida.

No dia 16 de outubro do ano passado, Higui voltava da casa de uma amiga, no bairro Mariló de Bella Vista, a quem havia visitado logo depois de festejar com seus familiares o Dia das Mães, aproveitando o caminho que tinha de fazer para chegar até o bairro onde morava. Quase chegando em sua casa, foi abordada por um grupo de dez homens.

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Na vizinhança, todos conheciam Higui e ela já havia sofrido diversas provocações por ser lésbica e ter uma aparência masculinizada. No passado, inclusive a ameaçaram de #Estupro corretivo e era essa a intenção dos homens que a abordaram naquele outubro.

Higui foi espancada e jogada ao chão, tendo suas calças arrancadas, enquanto gritavam que a tornariam "mulher". Um dos agressores se deitou sobre ela e Higui conseguiu, nesse momento, tirar uma faca que levava escondida em seu sutiã, para ferir o indivíduo. A punhalada no peito levou Cristian Espósito à morte.

Na ata do serviço de emergência que resgatou a vítima não consta nada sobre o estado em que Higui foi encontrada, com ferimentos visíveis e as roupas rasgadas.

A moça relata que ficou inconsciente por algumas horas depois de ser atacada e quando acordou, já estava na delegacia, em prisão preventiva.

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Embora apresenta-se hematomas visíveis, disse que os policiais riram dela quando relatou que fora vítima de tentativa de estupro, ironizando que ninguém tentaria isso, por ela ser "feia". A versão dada pelos amigos de Espósito - que, supostamente, estavam envolvidos no crime - foi a de que não houve agressão, mas apenas uma discussão entre ele e Higui e que, de repente, a mulher sacou a faca para apunhalar o sujeito.

Depois de um dos agressores registrar uma ocorrência, Higui foi acusada pela promotoria de homicídio e desde então se encontra detida na ala feminina do presídio San Martín. À família só foi permitido uma visita três dias após a prisão, depois de Higui ter passado por exame de corpo de delito. No entanto, não se sabe por que motivo, as fotografias das marcas de agressão na vítima não foram incluídas no processo, além de o relatório do exame psicológico que confirma que Higui não está mentindo ter demorado cinco meses para ser emitido.

Desde o ocorrido, familiares, amigos e mulheres se reuniram para pedir a libertação da moça, formando o movimento "Justicia para Higui", o qual promoveu diversas manifestações ao longo de 2017, recebendo o apoio da campanha "Ni Una Menos", que luta contra o feminicídio e a #Violência de Gênero na América Latina.

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Desde a última mobilização feminina na Argentina, em 4 de junho, várias mulheres compartilharam a hashtag #liberenahigui nas redes sociais e, no dia 8 de junho, quinta-feira, uma nova audiência solicitando sua libertação foi realizada em San Martín.

O resultado tem um prazo de cinco dias úteis para ser manifestado pelos juízes, que irão decidir se Higui continua presa ou se poderá aguardar seu julgamento em liberdade. #lesbofobia