O compartilhamento de vídeos de demonstrações admiráveis de faces da cultura #Japonesa estão por todos os lados. Entre elas, pessoas educadamente alinhadas para cumprir alguma tarefa ou limpando um ambiente comum após sujarem.

Esses vídeos quase sempre vem acompanhados de frases que enaltecem a cultura japonesa, mas depreciam o Brasil. "Japoneses são muito educados, limpos e organizados, ai se fossem brasileiros", por exemplo.

Não é raro encontrar quem defenda que a cultura japonesa seja até mesmo superior à brasileira por motivos como esses ou pelas suas rápidas reconstruções pós-desastres naturais e o ritmo da industrialização do pós-guerra.

Publicidade
Publicidade

Eles são mesmo muito educados, até o pum em público é motivo de orientações oficiais no país.

Mas será que eles são exemplos a serem seguidos em todos os quesitos?

A cultura japonesa tem mesmo exemplos admiráveis e de grande valor, como todas as histórias de todos os povos. Afinal, são experiências vividas por eles e resultado de uma longa história.

Porém, temos que perceber que em nenhuma cultura existem só os bons ou só maus exemplos. Na verdade, toda cultura humana é cheia de faces. No caso do #Japão, as faces ruins de sua cultura se sobressaem tanto quando as boas.

Você poderá ver neste artigo os diferentes pontos, tanto aqueles admiráveis quanto os que... bom, é melhor mesmo deixar para lá.

Ninguém duvida que o Japão seja um país de pessoas disciplinadas. Podemos perceber que este fato tem consequências tanto boas quanto ruins.

Publicidade

Boas porque com disciplina, aumenta-se a perseverança das pessoas, elas são capazes de gerir seu tempo e recursos de forma eficiente, sem muito desperdício. A parte ruim é a inflexibilidade de tal disciplina relacionada ao trabalho, o que será detalhado mais para frente.

Outra coisa boa é que no Japão todos são criados para serem cidadãos independentes. Quando bem pequenos, já participam de atividades que desenvolvem a sua autonomia. A responsabilidade com as próprias coisas e as coisas coletivas são exercitadas por todos durante a escolarização, o que permanece por toda a vida.

A aposta no desenvolvimento industrial e tecnológico do país também teve uma grande ajuda das habilidades desenvolvidas no setor, que se utilizadas para os fins adequados, poderiam auxiliar no desenvolvimento de uma sociedade mais respeitosa e eficiente: o trabalho em grupo.

Essas qualidades admiráveis se dão em um contexto amplo, onde devem ser considerados outros aspectos da cultura, pois nada no mundo humano se desenvolve de forma isolada.

Publicidade

A outra face

No Japão, a disciplina no trabalho é extrema. Ela constrói com intensidade a imagem de valor dos indivíduos perante seus chefes, colegas de trabalho, amigos e familiares. Para eles, é necessário dedicação sobre-humana para mostrarem-se pessoas de valor. O que, não surpreendentemente, acaba em grandes índices de mortes súbitas por excesso de trabalho, depressão e os conhecidos suicídios.

O fato de serem muito exigentes consigo mesmos faz com que tenham tolerância baixa às realidades que fogem aos altos padrões impostos pela cultura. O que eleva os índices de suicídio devido à "vergonha moral", em que praticam o seppuku, por considerarem uma forma de reparar erros e pagar dívidas morais.

Como consequência, somado às crises, cresce o número de suicídio entre jovens, em uma realidade em que carreiras no Japão já não são estáveis quanto antes para 40% deles.

Os cidadãos japoneses também tendem a não falar sobre os problemas que os acometem, bem como não expor situações de adoecimento mental, já que o assunto é tabu no país. A profissão de psicólogo nem tem curso de formação regulamentado.

Diante dessas questões, frutos de questões culturais, torna-se contraditório considerar a existência de uma superioridade geral de uma cultura sobre a outra. Cabe a nós analisar as faces já conhecidas de forma justa. Além do que, não há sentido em comparar a cultura de dois países com histórias e caminhos tão diferentes como Japão e Brasil. O parâmetro para o desenvolvimento cultural do Brasil é sua própria história. Claro, com aprendizados das relações com outros países do mundo. E por que não, aprendendo também com os irmãos japoneses. #CulturaJaponesa