Este pode ser considerado um daqueles casos em que, assim como escreveu Mark Twain, "a verdade é mais estranha que a ficção": nos Estados Unidos, um homem inocente passou 17 longos anos preso por um assalto cometido pelo seu sósia, e não bastasse a semelhança física, os dois homens compartilham o mesmo primeiro nome.

Enquanto estava encarcerado, Richard Anthony Jones já havia ouvido de algumas pessoas que existia outro detento no presídio que se parecia muito com ele – apesar de nunca ter se encontrado pessoalmente com o indivíduo –, e quando advogados começaram a investigar essa informação, chegaram à convicção de que, de fato, Jones era inocente.

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Seus defensores levaram o caso ao juiz Kevin Moriarty, do Tribunal Distrital do Condado de Johnson, no Estado do Kansas, e o magistrado acabou ordenando sua libertação.

Durante a audiência, as testemunhas do crime – incluindo a própria vítima – tiveram acesso a fotografias dos dois presidiários juntos, e chegaram à conclusão de que realmente não era possível distinguir quem era Jones e quem era o outro homem, identificado apenas como "Ricky" (um apelido para "Richard").

Evidências contestáveis

O #Crime de roubo pelo qual Richard Jones foi detido aconteceu no ano de 1999, em um supermercado localizado na cidade de Roeland Park. O homem preso injustamente tornou-se alvo de investigações três meses após o assalto, quando uma foto sua foi selecionada em uma base de dados policial por um indivíduo que encontrou Jones uma única vez, e que naquela ocasião, estava sob o efeito de entorpecentes.

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Segundo a argumentação dos advogados de Jones, a lista de fotos que foi mostrada tanto à vitima do roubo quanto às outras testemunhas do incidente foi "altamente sugestiva", já que sua imagem era a que mais se assemelhava à do criminoso. Assim, a prisão foi toda baseada apenas na identificação visual que os depoentes fizeram.

Dois anos lutando pela liberdade

A liberdade de Richard Jones não aconteceu de imediato, e foi alcançada somente dois anos após ele ter entrado em contato com os programas chamados Midwest Innocence Project (Projeto de Inocência do Centro-Oeste) e Paul E. Wilson Defender Project (Projeto Defensor Paul E. Wilson), da Universidade do Kansas – onde trabalha Alice Craig, umas das advogadas de Jones.

Os defensores do homem inocente acabaram descobrindo que Ricky (o sósia) morava próximo de onde o assalto ocorreu, ao passo que Jones morava longe do local. Além disso, não havia quaisquer evidências físicas que ligassem Jones ao crime, como por exemplo, amostras de DNA ou impressões digitais.

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Reunindo todas as descobertas, somadas ao fato de que a vítima, as duas testemunhas do incidente e o próprio promotor do caso não conseguiam diferenciar os dois homens nas fotografias mostradas durante o julgamento, o juiz Kevin Moriarty se convenceu da inocência de Jones, acrescentando ainda que "nenhum jurado razoável" o condenaria com base nas novas provas apresentadas.

A advogada Alice Craig afirmou que, enquanto estava preso, seu cliente estava "compreensivelmente amargo e irritado" por estar cumprindo pena por um delito que não cometeu, mas assim que ele viu a foto do seu sósia, entendeu porque as testemunhas do crime o haviam identificado erroneamente.

Richard Jones já está em liberdade, feliz por voltar para sua família, e enquanto se ajusta à nova vida, uma campanha de financiamento coletivo online foi criada para ajudá-lo em seu recomeço. #Bizarro #EUA