Há muito tempo, as autoridades italianas têm percebido a existência de indícios de venda ilegal de papéis para obtenção da #cidadania italiana, e um dos maiores mercado para esse tipo de crime é o Brasil, como alertam os especialistas em processos de imigração italiana.
No Brasil, é possível encontrar nas salas de espera dos consulados gente contando casos de toda natureza. Dos que usam certidões de nascimento falsas, simulando processo de adoação por uma família que tenha o direito a obter dupla nacionalidade até os que forjam o processo dentro do direito que já possuem junto às entidades italianas competentes, simplesmente para acelerar a avaliação dos documentos e conseguir o #passaporte com mais agilidade. Esse tipo de ação tem ocorrido tanto no Brasil quanto em solo italiano.
No mês de fevereiro deste ano, um homem foi acusado na Itália de facilitar concessão de cidadania italiana a brasileiros. Pier Nicola Pelagi, funcionário da prefeitura de Rignano sull'Arno, cidade localizada na província de Florença, foi afastado do serviço público no começo de março, acusado de facilitar o processo de obtenção de cidadania italiana a brasileiros. De acordo com investigações do Ministério Público de Florença, aproximadamente 40 brasileiros conseguiram nacionalidade italiana com ajuda de uma brasileira.
O suposto esquema que deslocou o italiano do seu posto e o colocou sob investigação também envolvia por Soraya de Santana Piloto que supostamente teria conseguido fraudar o processo por meio de uma espécie de 'parceria' estabelecida com Pier Nicola Pelagi, que à época chefiava setor semelhante a um cartório no Brasil. Soraia se defendeu negando que estivesse cometendo alguma ilegalidade. Ela inclusive chegou a procurar um veículo de comunicação especializado, a ANSA ( Agência Italiana de Notícias), que foi a primeira a divulgar em português esta informação para dizer que confia no julgamento da justiça italiana.
Se supõem que a ação conjunta facilitava a vida de brasileiros na obtenção de passaporte. Os interessados passavam dois meses morando numa casa em nome de Soraya, na Itália, a fim de provar residência, dirigiam-se ao cartório, recebiam certificação de moradia sem nenhum tipo de verificação. Segundo o Ministério Público, as residências eram fictícias.
Pelagi e Soraia foram indiciados pela justiça por falsificação de documentos. Em depoimento, o italiano disse que sempre agiu da maneira ética e dentro das regras. Segundo ele, os brasileiros tinham ao menos antepassado italiano e direito de sangue (jus sanguinis) à cidadania do país europeu.
Pouco tempo atrás, Pelagi foi deslocado para outro setor em função da denúncia de corrupção. E Soraia segue sendo investigada e aguarda decisão da justiça sobre a acusação, como informou notícia recente publicada pela ANSA.

Itália iniciou diversas investigações desde início do ano

Desde o início do ano, a Justiça da Itália realizou diversas investigações paralelas sobre irregularidades na concessão de cidadania. Em janeiro, um policial foi preso em Lodi, no norte do país, por facilitar a certificação de residência a estrangeiros principalmente brasileiros.
No começo de abril, o Ministério Público de Teramo, no centro da Itália, deflagrou inquérito semelhante, direcionado especificamente a cidadãos do Brasil. Além disso, no mesmo mês, uma investigação na região da Campânia (sul do país) descobriu esquema para obtenção de cidadania por direito de sangue a cerca de 300 brasileiros entre eles jogadores de futebol.
Dentre os supostos beneficiados estão o volante Bruno Henrique, do Palermo, o meia Gabriel Boschilia, do Monaco, o atacante Eduardo Sasha, do Internazionale. Os casos geralmente ocorrem em cidades pequenas, onde a fiscalização costuma ser menor.

Como se consegue a cidadania

A Itália reconhece os descendentes de italiano até a quinta geração. O país também reconhece os cônjuges casados com cidadãos italianos, porém, ainda não é aceito o casamento de pessoas do mesmo sexo, muito embora o casamento de um brasileiro e italiano acendeu à esperança do reconhecimento da cidadania nessa modalidade de vínculo.
Para obter a cidadania, os interessados devem fazer o pedido à representação diplomática italiana da área onde vive, o que pode chegar a custar cerca de R$ 10 mil o processo todo, mas em alguns casos este valor pode ser superior, entre as traduções e taxas a serem pagas. Só é possível entrar com o processo diretamente na Itália, provando residência legal. É por aí que os esquemas recentemente denunciados começam a funcionar. Já que não há, em princípio, nenhuma irregularidade em oferecer uma “ajuda” ao requerente. Ou seja, uma carta de um cidadão italiano, confirmando seu endereço como prova de residência do requerente oficializa a “ospitalità ” perante às autoridades locais, as “comunes”, que seriam equivalentes aos municípios no Brasil.
E são as 'comunes' quem fiscaliza a veracidade ou não da situação do requerente em território italiano, explicam os especialistas de processos de imigração italiana para obtenção de documentos.

Aumenta o número de pedidos de dupla cidadania

Dados do Instituto Nacional de Estatística da Itália (Istat) apontam que 159 mil estrangeiros se tornaram cidadãos italianos no ano de 2015, um número três vezes maior se comparado com o histórico de anos anteriores, como aponta a estatística de 2011, que registrou um universo de 50 mil concessões de papéis.
No ano passado, a rede consular reconheceu, apenas no Brasil, 12 mil pedidos de nacionalidade, além de ter emitido 21 mil passaportes. O cenário indica que esse número só tende a aumentar nos próximos anos.
De acordo com as informações dos profissionais de imigração italiana, a diminuição da burocracia para solicitar a cidadania, com adoação da Convenção da Apostila da Haia, nas representações diplomáticas da Itália no território brasileiro, fez com que os processo ficassem substancialmente mais rápidos.
Esta reportagem também contou com produção do jornalista Denis Kuck, do Rio de Janeiro.
As informações podem ganhar atualização a qualquer momento, diretamente de Londres.
#Consulado italiano