Mariam Bandaba, vive na Tanzânia, África e é albina.

O albinismo, termo que vem do latim e quer dizer ‘branco’, consiste em um distúrbio congênito e é caracterizado pela ausência total ou parcial de cor nos olhos, na pele e nos cabelos. Ocorre devido ao defeito de uma enzima que interfere na produção da melanina.

A Folha de São Paulo online noticiou ontem (20) que, por conta dessa condição, Mariam teve sua vida completamente alterada no ano de 2008. Ela dormia tranquilamente em casa, quando uma gangue entrou em sua casa e em seu quarto e decepou-lhe as mãos. Entre os integrantes da gangue estava um homem que era seu vizinho.

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Mariam diz em entrevista concedida à BBC: “meu vizinho foi quem segurou o facão que me cortou. Era alguém muito próximo de mim e da minha família. Depois ele deu minhas mãos para os comparsas.”.

Na Tanzânia, as pessoas têm a crença absurda de que os albinos têm poderes mágicos e são esses poderes que lhes conferem a cor branca na pele. Além dessa crença, eles acreditam ainda que ‘feiticeiros’ conseguem grandes feitos quando usam as mãos desses ‘seres mágicos’ em rituais de magia.

Por conta dessa crença, seu vizinho decepou-lhe as mãos com um facão e vendeu-as a um desses feiticeiros locais.

Para muitas pessoas isso seria o fim da vida, mas Mariam reinventou-se e à vida que levava. Com ajuda de uma ONG dos Estados Unidos da América, ela recebeu próteses e também um treinamento em corte e costura industrial.

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Hoje, Mariam Bandaba tem uma confecção que fabrica suéteres e echarpes.

Crime é comum na Tanzânia

Infelizmente essa crença é comum na Tanzânia e ainda esse local tem uma incidência sete vezes maior de albinos, em comparação com o resto do planeta. Os albinos perfazem um total de mais de 17 mil pessoas na África e sempre foram tratados como “tribo fantasma”. Especialmente na Tanzânia, eles são mortos nas ruas e têm suas partes vendidas a diferentes pessoas para rituais de magia. A crença é de que quem os caça, terá boa sorte, uma vez que seus pedaços serão usados em poções para curar enfermos. Alguns governos tentam erradicar essa prática, que perdura por décadas, mas há quadrilhas lucram com o négocio.

Ernest Kimaya, presidente da Sociedade dos Albinos na Tanzânia, luta juntamente com outras pessoas para inibir o comércio de partes de corpos (inclusive a pele) dos albinos. Ernest espera que seja autorizada pena de morte a quem continuar com a prática, mas no momento, isso está longe de acontecer.

Veja agora um pequeno vídeo que fala do risco que correm as pessoas albinas nesse lugar:

#África #feitiçaria #Crime