Conforme noticiado, a âncora da agência de notícias estadunidense Democracy Now!, Amy Goodman, entrevistou o renomado linguista e pensador Noam Chomsky no final de abril, reportagem que foi divulgada em 29 de maio. Na pauta: diversos temas polêmicos da conjuntura atual, como mudança climática, armas nucleares, #Coreia do Norte, Síria, WikiLeaks e o governo Trump.

Relatamos sobre a questão do acordo do clima de Paris, sobre o qual Chomsky chamou atenção para disposição do presidente estadunidense, #Donald Trump, fazer tudo para inviabilizar o acordo. Foi o que fez nesta semana. Os Estados Unidos se retiraram do acordo de Paris.

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Mais uma decisão polêmica de Trump que vai contra os esforços de vários líderes mundiais para reduzir as agressões ao clima do planeta.

Em março, Chomsky lançou o seu novo livro Réquiem para o Sonho Americano: Os 10 Princípios de Concentração do Poder e da Riqueza (Requiem for the American Dream: The 10 Principles of Concentration of Wealth & Power), por Peter Hutchison (editor). A obra ajuda a todos na busca de respostas aos porquês do mundo atual nos causar a impressão de estar pior.

A Democracy Now! lançou, também, questionamentos sobre os atuais conflitos bélicos, com contornos mais drásticos no aproximar do 100º dia da gestão Donald Trump, com níveis de popularidades cada vez mais baixos. Chomsky falou sobre Coréia do Norte; Irã, a bomba Moab (ou "Mãe de Todas as Bombas") lançada no Afeganistão e Síria.

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Quem se habilita a dar o primeiro tiro?

Sobre um possível ataque militar dos #EUA sobre a Coréia do Norte, Chomsky disse que o governo Trump é imprevisível, o que dificulta qualquer previsão confiável. No entanto, o professor duvida que um ataque ocorra. Tal ataque (seja convencional ou nuclear), explica, teria uma resposta pesada da artilharia norte-coreana sobre Seul, capital da Coreia do Sul, que não fica tão distante da fronteira com o lado Morte. O ataque mortífero atingiria também as tropas estadunidenses.

Chomsky ressaltou não ser especialista em técnicas militares, mas pelo que estudou, a resposta norte-coreana seria indefensável, inclusive para as bases militares dos EUA na região. "Eles ficariam devastados", sublinhou.

O professor analisou, também, que a Coreia do Norte pode ser completamente destruída. Antes, porém, a resposta norte-coreana sobre os sul-coreanos seria devastadora. Por isto, Chomsky acredita ser pouco provável que os comandantes militares estadunidenses programem tal ataque.

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O professor do MIT (Massachusetts Institute of Technology) ponderou: “Existe uma maneira de lidar com o problema?”. Disse que muitas sanções à Coreia do Norte são propostas, inclusive a mobilização militar ora em curso, em especial o porta-aviões Carl Vinson.

Ele acredita que o sistema de defesa antimísseis instalados pelos EUA na Coreia do Sul é uma grande ameaça para a China, o que aumenta mais ainda as tensões naquele Mar Asiático.

Chomsky analisou que uma proposta, que é ignorada, seria conseguir que a Coreia do Norte congele seus sistemas de armas nucleares e de mísseis. Para tanto, é preciso aceitar a proposta deles. Lembrou que a China e a Coreia do Norte propuseram congelar tais sistemas, mas os EUA rejeitaram instantaneamente. Disse que neste particular não se pode culpar apenas o Trump, mas o ex-presidente norte-americano Barack Obama também.

Os EUA rejeitaram pôr fim as suas ameaçadoras manobras militares nas fronteiras norte-coreanas. Tais manobras incluem o envio do bombardeiro B-52, que tem capacidade nuclear.

Crime de guerra

O escritor ressaltou: "Agora, talvez os americanos não se lembrem muito bem, mas os norte-coreanos têm uma lembrança de não muito tempo atrás quando a Coreia do Norte foi absolutamente achatada, literalmente, por bombardeios americanos".

Neste sentido, o professor exortou a todos, exceto os norte-coreanos que sofreram na pele, e que não o fizeram, ler as histórias militares oficiais dos EUA (a Air Quarterly Review) que descrevem a Guerra da Coreia. Chomsky lembrou uma ponderação dos militares estadunidenses naquela guerra: "Não havia mais nenhum alvo. Então, o que podemos fazer?".

Os EUA decidiram atacar as grandes barragens de água, importantes para o cultivo de arroz, alimento fundamental daquele povo. "Esse é um grande crime de guerra", sustentou Chomsky.

Ele sublinhou que os norte-coreanos têm as suas razões por estarem aborrecidos ao ver bombardeiros B-52, manobras militares em suas fronteiras. "E eles continuam a desenvolver o que ele veem como um impedimento potencial que poderia proteger o regime - e o país, de fato - da destruição". Tal defesa, segundo Chomsky, independe da posição ideológica do governo, e se ele é o pior da história humana.