Problema que não é exclusivamente do Brasil, o tráfico e consumo de #drogas em áreas públicas já foi de maior alcance em alguns países europeus.

Alguns deles tiveram de repensar e começar do “zero” para entender e buscar a eficiência no combate às drogas e no tratamento de seus dependentes. Sob o ponto de vista nacional, um trabalho que praticamente funciona de forma simultânea.

Localizada no centro da Europa, a rica e próspera Suíça foi palco de um evento que chamou a atenção para além de suas fronteiras. Em Zurique, uma praça frequentada por usuários foi alvo de uma repressão policial. Não se assuste se existem pontos em comum entre a Cracolândia paulista e o Platzpitz Park, pois essa “guerra” iniciada nos anos 80 e travada pelo poder público, traficantes e drogados teria vários capítulos.

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A única diferença entre São Paulo e Zurique é que, lá na Suíça, o vilão chamava-se heroína e, mesmo com a remoção violenta da praça, o novo ponto de comércio e uso de entorpecentes foi uma estação de trem abandonada. Local perfeito para reunir até 4 mil frequentadores em 1994.

Fracassado em sua ação punitiva, a tática foi mudada para medidas de cunho social e assistencial. A ação policial passou para um caráter de monitoramento e sem uso da força.

O método implantado sofria resistência da população, uma vez que algo semelhante já havia sido tentado. O novo plano teve como foco a prevenção, o tratamento, o controle e a recuperação dos danos advindos pelo consumo. Estabeleceu-se que os drogados mais problemáticos pertenceriam à esfera de saúde pública e da polícia. Os mais “calminhos” ou com doenças mentais obtinham um tratamento mais humano.

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A vizinha Alemanha também teve que suar muito até encontrar uma solução satisfatória: no mesmo caminho descrito pelos suíços, Frankfurt era vítima de ocupações de espaços públicos para o consumo aberto de drogas. A situação melhorou a partir de 1992, combinando ação policial e a criação de centros de tratamento localizados na periferia da cidade alemã.

Hamburgo, por sua vez, optou pela rota das “Salas de Inalação”, onde o usuário pode contar com inaladores desinfetados, no intuito de reduzir ou extinguir o vício. Em troca, o paciente se responsabiliza a se tratar pelos programas oferecidos pelas autoridades municipais.

Os austríacos adotaram o lema de que os drogados precisam de tratamento e os traficantes, de repressão. Os usuários foram vistos como parte integrante da #Sociedade: eram-lhes dados cursos vocacionais e salas de relaxamento para as vítimas do ‘crack’. Neste último caso, observou-se que muitos dependentes do ‘crack’ apresentavam tensão, cansaço extremo do ponto de vista físico e psicológico e quadro de paranoia.

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Lisboa também ficou apurada, percebendo que lugares, como Casal Ventoso, eram ponto farto de entorpecentes. Até famílias completas estavam envolvidas com drogas. Para reverter a situação de Casal Ventoso, as autoridades portuguesas encararam o problema como de “responsabilidade da saúde”. A polícia coopera no encaminhamento dos dependentes para psicólogos e assistentes sociais.

O usuário é incluído em novo cadastro nacional, mas separado dos registros policiais e criminais, enquanto é conduzido para tratamento. A região de Casal Ventoso foi derrubada e se construiu um novo bairro, objetivando a convivência social e a segurança.

Nem tudo são em flores

Não se pode negar os progressos atingidos por essas políticas, mas os problemas do consumo de ‘crack’ e cocaína ainda rendem dor de cabeça à Europa.

De acordo com um estudo realizado em 2015, 7500 pessoas começaram algum tipo de processo de abandono ou cura. Esse número provém da França, Espanha, Inglaterra e Holanda. Os ingleses estimam que alguns viciados também fazem uso combinado com o ópio.

Embora haja melhoras, a União Europeia está longe de terminar o combate e a erradicação das drogas. Mesmo iniciado há cerca 20 anos, o sentimento é de um desafio, um obstáculo difícil de transpor. Para o dependente, isso é mais claro quando, além de ter que encarar a superação da substância química, é obrigado a enfrentar a desconfiança e o preconceito da comunidade. #Polêmica