O maior sonho da modelo alemã Martina Big, de 28 anos, era ''ter a pele escura e descobrir todos os limites para isso''. A ex-aeromoça gastou cerca de 50 mil libras - o equivalente a cerca de R$ 207 mil - em cirurgias e injeções para bronzeamento de sua pele. Atualmente, Martina afirma ter os maiores seios da Europa. Além das injeções, Martina adquiriu uma mesa de bronzeamento artificial para manutenção da nova cor de sua pele.

No último dia 10, Martina postou um vídeo em seu Facebook no qual conta estar realizando sua primeira visita a Los Angeles, nos Estados Unidos, como ''uma mulher negra''. Neste vídeo, Martina aparece em frente ao icônico letreiro de Hollywood, vestindo um biquíni com animal print de oncinha.

Publicidade
Publicidade

''Da última vez que eu estive aqui, tinha cabelos loiros e pele branca'', conta a modelo. ''Agora sou uma mulher negra com cabelo afro''. Confira abaixo o vídeo de Martina:

O vídeo já foi compartilhado por mais de 1 mil internautas, mas os comentários a respeito das transformações corporais realizadas por Martina não foram muito positivos. Aparentemente, a modelo não se importa nem um pouco com isso. ''Pretendo continuar a fazer modificações em meu corpo até sobrar apenas a pura essência da mulher negra'', disse ela.

Martina diz ainda que não entende a motivação de tantos comentários negativos. ''Minha transformação ocorreu há sete meses e agora sou uma negra de verdade, isso não mudará. Por que as pessoas não podem simplesmente aceitar isso? Eu me sinto negra agora, mesmo que existam ainda algumas sutilezas para melhorar.''

O transformação de Martina reacendeu a discussão a respeito da hipersexualização da mulher negra.

Publicidade

A imagem que Martina tem da ''mulher negra'' é, sem sombra de dúvidas, a imagem de um corpo curvilíneo e sensual, altamente erotizado e exagerado naquilo que é considerado desejável. A sua transformação explicita isso.

Segundo a colunista da revista Fórum Juliana Borges, a imagem de uma mulher negra ''disponível'' sexualmente é resultado de uma construção social de estereótipos que, infelizmente, ainda carrega a herança do processo colonial e coloca os negros em posição de submissão e exploração.

''Uma das marcas deste processo de colonização racista é a desumanização do outro'', escreveu Juliana Borges. Ao enxergar as mulheres negras de forma objetificada, a #Sociedade as desumaniza. Um dado alarmante confirma que, ainda hoje, as mulheres negras recebem piores salários, não apenas em relação aos homens, mas em relação às mulheres brancas também.

''Somos mais do que bundas e peitos, ou quaisquer partes do corpo'', afirma Juliana. ''Somos seres pensantes''.

Assim, a obsessão da modelo alemã Martina Big em tornar-se uma ''mulher negra'' fazendo cirurgias estéticas exageradas e tornando cada vez mais evidentes aspectos físicos de caráter sexual, seria, segundo alguns internautas, resultado de um estereótipo social construído em cima da erotização e da herança escravagista que aflige mulheres negras todos os dias.

Publicidade

E você, o que pensa da transformação de Martina? Deixe sua opinião nos comentários. #MartinaBig #Curiosidades