Forma nove meses de combate em terras iraquianas. A #Guerra entre as forças iraquianas e o #Estado Islâmico (EI), que vinha se alastrando desde outubro de 2016, aparentemente chegou a um fim parcial neste último domingo (9), com a retomada da cidade de Mossul, segunda maior cidade do Iraque, e considerada o último grande reduto do grupo jihadista.

A retomada de Mossul

Foi após o começo de uma campanha militar aérea, apoiada pela coalização internacional e liderada por Washington, contra oposições do EI no Iraque e na Síria, que o avanço jihadista foi impedido, e seu território progressivamente reduzido. Desde 2014, o grupo terrorista controla uma área aproximada de 242 mil km² (basicamente do tamanho do Reino Unido).

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A queda das forças jihadistas e a retomada de Mossul marcam o símbolo da contínua perda de território que o EI vem sofrendo no Iraque e na Síria, o que também dificulta sua capacidade de obter recursos financeiros e de recrutar combatentes.

Entretanto, não podemos ainda considerar com otimismo que o EI tenha se desintegrado totalmente. O que se vê após a reconquista de Mossul são soldados extremistas ainda presentes no território iraquiano e sírio, determinados a lutar até o final. Estima-se que o confronto, após este último domingo (9), teve continuidade em uma área reduzida, de cerca de 200 metros na Cidade Velha ao longo do Rio Tigre, onde os últimos extremistas foram encurralados.

Guerra iminente

Apesar da derrota, o EI ainda mantém o controle de outras cidades, incluindo Tal Afar (50 km a oeste de Mossul) e Hawija (cerca de 300 km ao norte de Bagdá) e zonas desérticas da província de Al-Anbar (oeste), bem como a região de Al-Qaïm, na fronteira com a Síria.

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São cidades onde os derradeiros extremistas instalados estão dispostos ao sacrifício, seja no combate direto em investidas contra as tropas iraquianas, ou por meio de ataques terroristas contra indefinidos grupos de inocentes.

Segundo o tenente-geral Stephen Townsend, comandante da coalizão anti-extremista liderada pelos EUA, "ainda resta uma dura luta à frente". Apesar da vitória iraquiana em Mossul e da redução territorial do EI, não significa que a guerra contra o califado tenha chegado ao fim.

Sem lar

Apesar da comemoração dos soldados iraquianos, o clima é diferente para os habitantes de Mossul (que conta com aproximadamente um milhão de pessoas). O resultado dos confrontos apenas os fez herdar a destruição de seu patrimônio e o sofrimento de sobreviverem peregrinando sem serviços essenciais, como fornecimento de água e eletricidade, sem infraestruturas de escolas e hospitais destruídos em bombardeios, além do abalo psicológico de terem servido, certamente, como escudos humanos pelos extremistas.

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A campanha militar de retomada de Mossul provocou uma severa crise humanitária, fazendo com que os civis sobreviventes continuem, ainda por alguns meses, deslocados e à procura de refúgio e proteção diante dos rastros da ofensiva iraquiana.

Apesar de o primeiro-ministro iraquiano, Haider Al-Abadi, ter declarado nesta segunda-feira (10) que agora as prioridades do governo são "a estabilidade e a reconstrução", limpando a cidade das minas e explosivos e restabelecendo os recursos necessários para o reagrupamento dos sobreviventes dispersos, podemos nos perguntar: até que os pontos primordiais da cidade sejam reconstruídos, as pessoas recuperem seus pertences e retornem ao lar, qual o significado da libertação?

É claro que a retomada de Mossul e o enfraquecimento das forças do EI marcam a insígnia da esperança para o povo iraquiano. Porém, o fim da guerra também aponta outro episódio: a reconstrução de uma história tomada por anos de ressentimento e violência fanática. Para o tenente-general Stephen Townsend, "ainda resta uma dura luta à frente". #Terrorismo