Quando Shakespeare fez um de seus personagens dizer que há mais coisas entre o céu e a terra do que supunha a vã filosofia de seu interlocutor, ele provavelmente não imaginaria que, mais tarde, uma dessas coisas poderia ser uma #Mulher condenada por ter se passado por homem para fazer sexo com outra mulher.

Em 2015, Gayle Newland, hoje com vinte e sete anos de idade, foi condenada em uma corte de Chester e sentenciada a oito anos de reclusão. Em uma instância superior, a sentença havia sido anulada em outubro do ano passado e Gayle foi libertada para aguardar por um novo julgamento.

Bom, o novo julgamento, em uma corte de Manchester, não foi positivo para ela: na última quinta-feira do mês de junho, um novo júri decidiu por sua condenação.

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Ela agora espera sua sentença, que será anunciada no dia 20 de julho. Enquanto isso, o juiz lhe concedeu fiança porque ela compareceu a todas as audiências pontualmente e ele acredita que ela não fugirá. O magistrado em questão, David Stockdale, frisou, no entanto, que a concessão desse benefício nada tem a ver com a natureza da punição que ela receberá. Na verdade, ele deu a entender que ela deve ir se preparando para uma razoavelmente longa pena de reclusão. Além disso, o nome dela ficará em uma lista de criminosos sexuais.

Ferramentas de Gayle para atrair as mulheres

O estranho chamou a atenção da população britânica. Gayle é formada em Escrita Criativa e em 2011 criou uma identidade masculina online para seduzir uma estudante da Chester University, instituição onde estudava à época. Gayle, usando a identidade Kyle Fortune, entrou em contato com seu alvo através da rede social Facebook.

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Depois disso, trocaram mensagens e fotos e mantiveram conversas frequentes por telefone. Para justificar evitar um encontro físico, "Kyle" alegou ter sido gravemente ferido e desfigurado, ter um câncer no cérebro, estar no hospital sob tratamento, ter sofrido convulsões e estar sob cuidados hospitalares intensivos.

A queixosa aceitou essas desculpas embora Simon Medland, um dos advogados de acusação no caso, tenha admitido que talvez ela tenha sido um tanto ingênua. Depois de algum tempo, "Kyle" informou ter uma amiga que, como a queixosa, também estudava na Chester University - essa amiga não era outra que não a própria Gayle. As duas mulheres encontraram-se e tornaram-se amigas íntimas, com a queixosa tomando Gayle como confidente de sua relação com "Kyle".

Finalmente, em fevereiro de 2013, "Kyle" concordou em encontrar sua interlocutora virtual em um hotel. Contudo, "Kyle" impôs algumas condições que Medland admitiu ser bastante esquisita. Entre elas, estão a de que a queixosa se mantivesse vendada porque "Kyle" dizia se sentir envergonhado de seus ferimentos e a de que o “rapaz” usaria bandagens no peito devido a uma condição cardíaca.

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Durante meses, os dois se encontraram e até mantiveram sexo nessas condições. Segundo os jurados, a queixosa passou mais de cem horas fazendo outras atividades vendada com seu “namorado”. Em junho daquela ano, contudo, a queixosa arrancou a venda durante o ato sexual e descobriu o engodo de que havia sido vítima, descrito no tribunal como "uma descoberta realmente muito perturbadora". Seu amor era ninguém mais, ninguém menos do que Gayle, com um pênis artificial bastante realista com direito até a testículos.

A versão de Gayle, que não parece ter convencido o júri, foi a de que, embora tenha feito sexo com no papel de homem, o sexo foi consensual e a queixosa sabia das circunstâncias.

Mais: segundo Gayle, o primeiro encontro das duas não foi pela internet, mas em um bar gay e, lá, ela foi bem clara com a queixosa sobre seu hábito de às vezes se fazer passar por um homem chamado Kyle.

Agora, tudo o que resta é saber o tamanho da sentença que a moça formada em Escrita criativa receberá por sua criativa armação. #Abuso Sexual #relações sexuais