Sacha Batthyany, jornalista suíço, revelou em entrevista à BBC Brasil detalhes do passado nazista de sua família. Quando ficou sabendo sobre a ligação familiar com o #Nazismo, Sacha declara ter ficado em choque.

Sem dúvidas, essa descoberta fez com que o jornalista questionasse a própria identidade. Durante dez anos ele pensou e se afligiu. Depois de rouba-lhe muitas noites de sono ele finalmente decidiu escrever um livro revelando todo o passado de sua família o que se tornou uma esperança de fazer as pazes com o seu passado.

A origem da família de Sacha Batthyany

"Nossa família tem origem nobre, mas na Suíça ninguém sabia quem eu era.

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Cresci cercado por obras de arte, móveis antigos e objetos decorados com as iniciais e o brasão da família", conta durante entrevista.

Filho de uma família tradicional e com origem aristocrática hungara, ele viveu sua infância na Suíça, e conta que o importante para sua família não era o dinheiro exatamente, mas o status, afinal era o que tinha sido perdido após a #Segunda Guerra Mundial. Muitas famílias haviam perdido seus castelos, suas terras e principalmente a posição social.

Em 2007, ele foi surpreendido por uma foto de sua tia-avó Margit Batthyány em uma página de jornal. Justamente através da imprensa, o jornalista descobriu que sua família estava associada ao nazismo, para ele isso foi um grande choque. Nesta matéria, sua tia-avó, era acusada de ser cúmplice de um terrível massacre de mais de 180 judeus já ao final da Segunda Guerra Mundial.

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O texto havia sido publicado pelo jornal alemão Frankfurter Allgemeine e pelo jornal inglês The Independent, de Londres. O Jornalista britânico David Litchfield chamava sua tia de "anfitriã do inferno" pois de acordo com o que a notícia dizia, ela teria organizado um jantar que tinha como diversão extra a execução de judeus.

Condessa Margit Batthyány-Thyssen, filha e herdeira do multimilionário industrial alemão Heinrich Thyssen, havia se casado com o irmão do avô paterno de Sacha, e infelizmente para o jornalista, ele sempre havia tido uma relação muito próxima de Margit.

Detalhes conhecidos do Massacre da tia Margit

Conhecida por seu grande apetite sexual e por uma vida cheia de amantes, Margit organizou uma festa na noite do dia 24 de março de 1945, quase no fim da Segunda Guerra Mundial. Esta festa reuniu oficiais nazistas no castelo da família, em Rechnitz, localizado entra a Áustria e a Hungria.

Dois de seus amantes, Frans Podezin e Joachim Oldengurg, oficiais do exército nazista, estavam presentes e em um momento de exautação, os convidados presenciaram os assassinatos que foram cometidos por pura diversão.

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"...por volta da meia noite, cerca de 200 judeus quase definhando, considerados inúteis para o trabalho, foram trazidos de caminhão até Kreutzstadel, um celeiro próximo do castelo. Podezin então conduziu Margit e outros 15 ou mais convidados de honra a um almoxarifado, deu armas e munição e convidou-os a 'matar alguns judeus", descreveu Litchfield, que também é autor e publicou o livro The Thyssen Art Macabre.

Segundo relatos, os judeus foram obrigados a cabar a própria cova e despidos foram assassinados, para que seus corpos se decompusessem mais rapidamente. Dos 200 judeus levados ao Castelo durante aquela noite, 20 prisioneiros foram "poupados" para que ajudassem a enterrar as vítimas. No entanto, também foram assassinados no dia seguinte.

O assassinato dos judeus teria se originado em uma ligação recebida por Franz Podezin durante a festa. Cerca de 200 prisioneiros estavam com febre tifoide, aguardando em vagões na estação ferroviária. Haveria uma ordem para executá-los.

No entanto, conforme conta Sacha, Podezin teria recebido uma ligação enquanto estava na festa e informado de que 200 prisioneiros estavam com febre tifoide, e por esse motivo deveriam ser executados. "Não foi motivado por diversão, como disseram por aí", afirmou Sacha à BBC Brasil.